O ano eu não sei ao certo, acho que foi em 1993. O mês, muito menos, sei que sentia frio e, do dia, parece que era um sábado, pois depois do jogo, tive folga. E não sei se ocorreu alguma outra vez nesta vida, mas um dia, a Felusp FM (já era 107.1 - o lado direito do seu rádio) jogou uma partida de futebol de salão (futsal) contra a IPANEMA FM. E eu estava lá, pela 107.1. O "match" aconteceu no ginásio da ULBRA, que possuía duas excelentes canchas (quadras) para o inolvidável prélio. É claro que o tempo impede-me de lembrar alguns detalhes. Sei que meu mano Genilson (grande goleiro) foi, Pajasa, meu camarada de boas e ruins prestigiou e algumas ouvintes também estiveram presentes pra diversão de uma galera curiosa e festiva que resolveu aparecer por lá.
O grande jogo teve divulgação nas duas emissoras, inclusive com vinhetas e chamadas. Criou-se uma expectativa sensacional. Só o público foi decepcionante. Compareceram umas quarenta pessoas no ginásio. Com os atletas, deveria ter umas sessenta almas no local. Imaginei que mais gente iria comparecer pra assistir ao nosso exuberante futebol. Exuberante?... Tirando o Douglas Flor do nosso time e o alemão Vitor Hugo, do time adversário, que tinham certa intimidade amadora com a pelota, o restante, mesmo fazendo uma seleção, perderia folgado pro time do Santa Luzia (Instituto para cegos de POA).
O aquecimento levou mais de 30 minutos, isso porque não conseguiamos definir quem seriam os cinco titulares que abririam as hostilidades, pois na hora, apareceram mais de dez atletas, todos dizendo que Maradona tinha sido seu discípulo. Nesse meio tempo, o Roberto Pintaúde, que era professor da casa, demonstrava suas exímias habilidades peladeiras, que o credenciaram a sair jogando. Nosso goleiro, o Capitão Caverna, do programa Avalanche, "murchou" seu entusiasmo inicial naquela longa indefinição. Mas, infelizmente jogou...e afundou o time, sem o "punch" inicial. Meu irmão, só ria, me olhando do banco. O chefe, Mauro Borba, devido ao cargo, tinha de sair jogando de titular e, pra completar, o "pivô", Celso Garavello, como decano da rádio, se escalou. Não me lembro se completei aquela fiasqueira ou entrei depois que o caldo entornou. Só sei que corria feito louco pela quadra, pois além de estarmos perdendo feio, sempre tinha um do banco gritando, querendo entrar. Não me lembro se o Beto DJ, ou o Reinaldo ou o Fossati estavam no grande evento. Mas cada vez que eu chegava perto da linha lateral ouvia sempre: Já cansou, Estácio? Evidente que eu me fazia de surdo.
Do lado adversário, lembro do bom goleiro (que disseram ser um estagiário), que depois do jogo decidido, foi substituido pelo Montanha (aí que conseguimos diminuir a diferença no placar). Tinha o alemão Vitor, que gastou a bola e, um cara cabeludo, que ficava sapateando em volta da redonda, não deixando a gente se aproximar e, muito menos, tocando a bola pra frente. Era hilário, ele grandalhão, no meio da quadra e nós em volta dele. Apelidei a critura de Cátia Sumam.
Na real, e, ao fim, foi um episódio lamentável do ponto de vista esportivo, com gols do outro lado da quadra, a bola vazando os goleiros a "poderosos" 10 km por hora, gente pisando na bola, encontrões, empurra-empurra e o glorioso Caverna demonstrando uma ruindade única. O Douglas fez uns tres gols no Montanha chutando de longe. Foi quando nos tocamos que o cara era míope, mas daí já era tarde demais e o árbitro acabou com aquele sofrimento, com um largo placar que, é claro, não recordo
De curioso mesmo, a torcida. Algumas entusiamadas tietes estiveram lá pra nos aplaudir. Uma delas, trajada a rigor: mini-saia preta rodada, meias esportivas pretas na altura dos joelhos, um Kichute clássico, uma miniblusa colada e um rosto de correr o Conde Drácula, se enfiou vestiário adentro, quando determinado atleta, substituido, foi tomar água. Precisou da segurança da Universidade pra poder sair e se desvencilhar daquela enlouquecida admiradora.
Um comentário:
Como é uma cara de assustar o Conde Drácula?
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