Essa é outra do tempo em que eu culpava os outros. É triste. Vale pelo tamanho da tristeza penso eu...
Não gosto de vir nesta casa. Nela está o entulho da minha infância. Cada parede recende a lamentos e murmúrios de dor, angústia e expectativa. No assoalho, eu deitava colando o nariz no chão, beijando o pó, enquanto as mãos tapavam os ouvidos. Assim acreditava que fugia da constante presença da morte.
Uma mescla de perene tristeza e fugaz alegria resumem os meus dias naquele pátio sem ornamentos. Limpo, simples e pobre. A doença que matou meu pai comigo nasceu. Tive mais sorte que ele ao curá-la antes de completar um ano. Ele enterrou sua juventude e o restante dos dias maduros dentro dos frascos, suas promessas de reabilitação e uma religiosa esperança. Depois eu já moço, enterrei seu corpo. E trouxe comigo uma saudade que não consegui sepultar.
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