Ausência é a falta. Simples assim. É aquele buraco que a despeito de nossa vontade, abre-se sob os pés e nos engole por inteiro. Um rombo que nos tira do prumo e realça as descrenças, levando-nos a reflexão e a repetição contínua do pensamento. Fecham-se os horizontes. A ausência é uma parente próxima da depressão. Você deve estar imaginando que estou falando da falta de dinheiro. RSRSRS. Também poderia ser. Mas, menciono uma ausência mais perene. A falta de meu pai. Amanhã, dia 05/02, fará 28 anos em foi chamado para um plano superior. Como ela era um fervoroso católico praticante, acredito que foi para o céu. Quem sabe de mãos dadas com Santa Rita de Cássia, de quem era tão devoto.
Papai sempre foi sisudo e severo com a gente, mas também era muito afetivo. Pensei em escrever o que sei sobre a sua vida, infância, juventude, a doença que o consumiu, seus amores, a paixão por mamãe... Não daria duas páginas, tão pouco sei. Tenho dele aquela imagem austera, rígida. Quando das minhas andanças
entre a parentada, pra conhecer as gentes de onde provenho, fiquei pasmo com a imagem descrita pelos parentes, a de um cara brincalhão e, por vezes, divertido, pregando peças nos primos menores. Foi como ter notícias de outra pessoa. Mas, bem ou mal, vivemos quase 18 anos juntos... E, por mais preparado que estivesse, foi um baque. Depois a ausência, depois a contínua saudade.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
O bom Estácio.
Um pouco de mim para atualizar. Bom, 2013 já está acontecendo, faz seis meses que não escrevo nada e a vida continua sua incessante marcha, realçando minha pequenez. A Marianna chegou, forte e firme, enriqueceu o cotidiano. Nasceu uma semana depois da última postagem e virou de cabeça pra baixo o dia a dia.
Nisso, aquela história de ser pai e as suas implicâncias. Quando vemos, já estamos programando a festa de um ano, ela está querendo engatinhar e seu sorriso sem dentes ilumina a casa. A Anna é uma moça. Linda e faceira. Me desconsola um pouco ele ter saído tão parecida a mim, nos traços psicológicos. Bom, não posso viver por ela. Dei minhas filhas ao mundo que as há de consumir. Procuro municiá-las para enfrentá-lo, mas sabemos todos que é uma batalha ingrata, quando não infrutífera.
Me mudei. Novos ares, quase uma nova vida. E, em novembro, reuni amigos que não via há trinta anos.
Tanta coisa aconteceu, no trabalho, na vida pessoal, na vida familiar. E, no entanto, sigo procurando. Às vésperas de completar 46 anos, sigo buscando um sentido nesta existência. Algo que justifique tanto tempo perdido entre portas meio abertas, escolhas erradas, decisões pífias, a fraqueza em tentar e aquele sentimento que deveria ser melhor. Deveria ser bom, pelo menos. Como disse uma pessoa sobre mim: " O eterno insatisfeito". E, ela está cheia de razão. Quem me fabricou deve ter determinado no DNA: Intenso, Completo e Amplo. Mas, deveria ter me dado umas ferramentas mais adequadas.
Olhando exclusivamente para o meu umbigo, se eu partisse hoje, diria que vivi intensamente. Sem lamentações... Pelo menos, creio eu. Aproveitei cada segundo como um aprendizado, mas para quê? Qual o meu legado?
Que mundo deixo eu para meus entes onde 236 jovens morrem numa ratoeira enfumaçada, quando foram apenas se divertir? Quando a classe política de meus país fede a peixe podre? Quando jovens à minha volta planejam não um bom emprego mas, sim, como farão no próximo assalto. Quando ética, gentileza e compaixão são miragens sociais e a cultura definha aos pouquinhos?
Sei, a vida segue. E eu e vocês nela... e um gosto de sal amargo na garganta me impede de saboreá-la.
Mas, há ainda os mistérios insondáveis que me cercam. Um deles, mais presente no momento é o quanto as pessoas não me levam a sério. E eu que me acreditava importante. Pois veja, das 6.345 opiniões, ponderações, sugestões e mais alguns "ães&ões" que emiti nos últimos seis meses, 6.333 foram embora devidamente ensacadinhas nos caminhões do DMLU; seis eram sobre o Grêmio e as últimas seis, fiquei no limbo, pois eram parte de um animado colóquio com a Marianna. Não sei afinal se aqueles grunhidos eram de aprovação.
Sem contar quando te verbalizam que um cão tem mais valor que uma pessoa, neste caso eu.
Pra completar a sensação de saco de batatas com braços e pernas, encimado por um porongo oco, vi impassível, na minha idade, gente gritando comigo ou fazendo piadinha de mau gosto na minha cara, pessoas que ora procuro manter a distância. Outra confissão: eu não tenho amigos próximos. O último que ainda visitava esporadicamente me desapontou de uma forma vil e vergonhosa. Teria de ter um post especial para o fato, tão pequeno e triste que foi. Anda tudo preto e branco, com 50 TONS DE CINZA.
Sei, sei é hora de reavaliar... Percebo, parodiando o Barão de Itararé, que de onde menos se espera daí é que não sai nada mesmo, e que é preciso reagir. Quando faço isso, geralmente há lágrimas. Ou deixar como está e amansar esta mágoa amarga, aumentando a postura de coadjuvante servil. Lembro agora, de outro comentário acerca de mim, quando uma pessoa que gosto muito me disse: Tu és tão cordato! Bem, também lembro que uma vez só, demonstrei a ele o desconhecido Estácio e, para meu pesar, ainda guardo seu olhar de medo e até hoje ele me evita.
Nisso, aquela história de ser pai e as suas implicâncias. Quando vemos, já estamos programando a festa de um ano, ela está querendo engatinhar e seu sorriso sem dentes ilumina a casa. A Anna é uma moça. Linda e faceira. Me desconsola um pouco ele ter saído tão parecida a mim, nos traços psicológicos. Bom, não posso viver por ela. Dei minhas filhas ao mundo que as há de consumir. Procuro municiá-las para enfrentá-lo, mas sabemos todos que é uma batalha ingrata, quando não infrutífera.
Me mudei. Novos ares, quase uma nova vida. E, em novembro, reuni amigos que não via há trinta anos.
Tanta coisa aconteceu, no trabalho, na vida pessoal, na vida familiar. E, no entanto, sigo procurando. Às vésperas de completar 46 anos, sigo buscando um sentido nesta existência. Algo que justifique tanto tempo perdido entre portas meio abertas, escolhas erradas, decisões pífias, a fraqueza em tentar e aquele sentimento que deveria ser melhor. Deveria ser bom, pelo menos. Como disse uma pessoa sobre mim: " O eterno insatisfeito". E, ela está cheia de razão. Quem me fabricou deve ter determinado no DNA: Intenso, Completo e Amplo. Mas, deveria ter me dado umas ferramentas mais adequadas.
Olhando exclusivamente para o meu umbigo, se eu partisse hoje, diria que vivi intensamente. Sem lamentações... Pelo menos, creio eu. Aproveitei cada segundo como um aprendizado, mas para quê? Qual o meu legado?
Que mundo deixo eu para meus entes onde 236 jovens morrem numa ratoeira enfumaçada, quando foram apenas se divertir? Quando a classe política de meus país fede a peixe podre? Quando jovens à minha volta planejam não um bom emprego mas, sim, como farão no próximo assalto. Quando ética, gentileza e compaixão são miragens sociais e a cultura definha aos pouquinhos?
Sei, a vida segue. E eu e vocês nela... e um gosto de sal amargo na garganta me impede de saboreá-la.
Mas, há ainda os mistérios insondáveis que me cercam. Um deles, mais presente no momento é o quanto as pessoas não me levam a sério. E eu que me acreditava importante. Pois veja, das 6.345 opiniões, ponderações, sugestões e mais alguns "ães&ões" que emiti nos últimos seis meses, 6.333 foram embora devidamente ensacadinhas nos caminhões do DMLU; seis eram sobre o Grêmio e as últimas seis, fiquei no limbo, pois eram parte de um animado colóquio com a Marianna. Não sei afinal se aqueles grunhidos eram de aprovação.
Sem contar quando te verbalizam que um cão tem mais valor que uma pessoa, neste caso eu.
Pra completar a sensação de saco de batatas com braços e pernas, encimado por um porongo oco, vi impassível, na minha idade, gente gritando comigo ou fazendo piadinha de mau gosto na minha cara, pessoas que ora procuro manter a distância. Outra confissão: eu não tenho amigos próximos. O último que ainda visitava esporadicamente me desapontou de uma forma vil e vergonhosa. Teria de ter um post especial para o fato, tão pequeno e triste que foi. Anda tudo preto e branco, com 50 TONS DE CINZA.
Sei, sei é hora de reavaliar... Percebo, parodiando o Barão de Itararé, que de onde menos se espera daí é que não sai nada mesmo, e que é preciso reagir. Quando faço isso, geralmente há lágrimas. Ou deixar como está e amansar esta mágoa amarga, aumentando a postura de coadjuvante servil. Lembro agora, de outro comentário acerca de mim, quando uma pessoa que gosto muito me disse: Tu és tão cordato! Bem, também lembro que uma vez só, demonstrei a ele o desconhecido Estácio e, para meu pesar, ainda guardo seu olhar de medo e até hoje ele me evita.
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