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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A espera de Marianna

Amigos, ontem foi uma radiosa segunda-feira. Daquelas que me fazem questionar porque nasci na porra deste país e a insanidade de colocar filhos nele.

Começamos a semana arrumando o quarto da Marianna. Depois fomos almoçar na Petiskeira. Lá fiz o pedido e, pra agilizar, resolvi pagar a conta antes de vir a comida. No caixa, percebi que havia um ligeiro acréscimo no valor. Para minha surpresa estava embutida e registrada uma "gorjeta opcional" que não me foi comunicada. Evidente que não autorizei. Achei sacanagem, azedando o almoço. 

Ah! Havia pedido que minha cerveja fosse servida antes da comida. Nada. Chegou um rapaz, colocou os pratos e perguntou se não faltava nada. Respondi que faltava a bebida. Lá foi ele.. As papilas degustativas já sentiam o sabor da cevada e... três, quatro, cinco minutos...nada. Trouxeram a comida (fria), e perguntaram (de novo) se não estava faltando nada. Se a patroa, com 38 semanas, não estivesse com bastante fome, tinha pedido meu dinheiro de volta e ido a um Restaurante de verdade. Claro que fiz devolverem o dinheiro da cerveja (deu pra comprar duas em casa) e a Petiskeira passou agora ao rol de terceira opção alimentar. Depois de passar pela segunda exploração que é o valor do estacionamento, fomos pra casa. Eu, irritado. 

Lá pelas 16h e 30min nos movimentamos para a última consulta no Hospital Divina Providência, com os preparativos para o parto, etc... Fizemos a opção deste hospital depois do episódio da obstetra picareta que achacou a Márcia (registrei aqui naquele texto da empregada doméstica). Mas, enfim, este país está uma bosta, enlameado tal qual aquela gente enrolada no STF... Um retrato da malandragem, picaretagem, sacanagem. Tive nojo ontem. E temi pelo futuro de minhas filhas nesta barca podre chamada sociedade brasileira.

Chegamos lá no HDP às 17h 09min, segundo o ticket de estacionamento. Bem amigos, pra encurtar o causo, saímos quatros horas depois, às 21h 15min.
Detalhe, não foi a única vez que isso aconteceu lá com a patroa. 
Nunca é menos de uma hora e meia pra uma consulta. 


Ironia da atendente logo de cara: - Tenho duas notícias. Uma boa: a médica já chegou! A outra, é que vocês são os últimos da fila. Às 18h mais ou menos, ela fechou a banca e foi embora, ficando as gestantes ali esperando. O que me incomoda é que não há o cuidado de uma triagem. A mulher tá com os tornozelos do tamanho da panturrilha de tão inchados. Poderia ter sido atendida antes. Quem sabe mais um médico? Acho que tem pacientes do SUS, mas não justifica 4horas. 


Amanhã vou perguntar à Unimed e à Ouvidoria do Hospital se eles acham humano esse tipo de tratamento a uma gestante. Vou perguntar o que eles achariam se a mãe deles estivesse naquela situação. Prometo!

Fechei o dia bufando, querendo complicar na saída, mas a ouvidoria do Hospital só funciona em horário comercial. E, por fim a mulher me implorou pra ficar quieto quando comecei a chiar pra pagar 15,50 de estacionamento no Hospital. Isso mesmo! Vá de ônibus, de lotação, táxi. 

Só o que falta é eles complicarem na hora do parto, que nem os caras da lanchonete que me deixaram sem cerveja... Sabe-se lá. Pensar em defender seus direitos, mesmo que custe 0,05 centavos te tacham de chato. Por isso as coisas estão dessa forma. 


Mas, estamos prontos pra copa e pras olimpídas...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mais uma dos filhos de Esculápio

"A nossa criada/empregada/conselheira sentimental, recebeu de nós, pelos bons serviços prestados, um plano de saúde da Unimed. Coisa de uns 250/300 pilas por mês. Isso há uns três anos. Feliz da vida, fez os checkups (deve ser assim que se escreve) anuais, escolheu os médicos mais apetecíveis e, realmente usufrui dos benefícios. A obstetra de que ela gostava, a atendia ali no Moinhos, lugar chique, aonde comparecia toda arrumada, gastando um tempinho em maquiagem e roupas mais novas.
Até que um lindo dia a nossa criada embuchou, ou seja, resolveu que queria parir. Lemos com ela o manual de usuário do plano e vimos que este cobria até o quarto semi-privativo. Beleza. Confiante na sua ginecologista, fez todos os exames de praxe, passando os primeiros 4 meses muito radiante e confiante. Até o dia em que a médica, após a consulta, lhe chamou pra um particular... Foi quando nossa criada foi informada pela discípula de Hipócrates de que esta só realizava seus partos no antigo Hospital Alemão, e em quartos privativos. Além disso, haveria um custo adicional, pago em separado, extensivo à equipe médica: um tanto para a parteira, mais um tantinho pra assistente, um montinho pro pediatra e mais uma rebarba pro tal de anestesista. À vista e sem alternativas.
Chegou ela inconformada em casa e pediu nossa ajuda. Fizemos as contas, falamos com o Hospital e a brincadeira total beirava os 6.000 reais. Nossa criada teria de vender a criança pra pagar o parto. Sentiu-se no mínimo traída. Nossa criada estava sem chão. Então arregaçamos as mangas e procuramos algumas outras indicações. Demos folga a ela e, no outro dia, endereço numa mão e a esperança noutra, foi consultar Dras. Cicrana e Beltrana, com o marido a tiracolo. Ao fim da manhã retornaram os dois com caras inexplicáveis. Na sequência, minha cara ficou inexplicável também quando me disseram que a tal Cicrana era a assistente da primeira médica. E que a Dra. Beltrana cobrava seu extrazinho também...
Talvez, mais humilhante, foi a confidência da Cicrana de que não comentaria nada para a chefe da quadril... ops! equipe. Credo, ainda tinham a esperança de pegar a grana da nossa criada!
Ao fim de uma semana angustiosa de procuras e indicações, nossa criada encontrou uma médica do H.D.P. que faria o parto sem cobranças extras. Tirando as extravagâncias de três camisolas e sete calcinhas na lista de parturiente, tudo ficaria nos conformes, dentro da lei e do direito do cidadão. Bom, a espera da primeira consulta com a médica sem o "extra" foi de apenas três horas. Fiquei pensando em como está o SUS... Eta Brasilzão"

terça-feira, 17 de abril de 2012

Ingênua de Neve e os 2 pilantras de jaleco

Era uma vez, um médico charlatão e uma linda princesinha indefesa com quem consultava. Um belo dia, a linda princesinha reclamou para o charlatão que não conseguia dormir direito, andava cansada e o príncipe reclamava dos roncos noturnos... Uma sinfonia em dó maior, a noite toda. Muito solícito, doutor charlatão associou-se a um médico bonitão e convenceram, através de uma fábula, de que precisavam operar o nariz da linda princesinha. Como ela era pequeninha, possuía narinas delicadas. Logo disseram que não haveria problemas e que a malvada canseira desapareceria e que o amado sono reinaria no palácio principesco. Antes porém, salientaram que deveria ser feito um depósito, fora do caro plano da Unimed, no valor de 3.000,00 para tudo sair nos conformes.
Então, o lindo nariz da princesinha, num passe de mágica se transformou numa tomada de luz, ou num narizinho de porco, escorrendo 24 horas por dia. Mas, que infelicidade, logo depois da cirurgia, o dick vigarista do bisturi, viajou pelos céus para outro reino. Não podia atendê-la naquele período. A princesinha percebeu que algumas notas de 100 voaram juntos...
Passado algum tempo, o médico bonitão retornou e tratou do ferimento com cuidado, mas sem melhoras, por incompetência ou incúria, coitado. Para sermos justos, teve uma melhora, apenas parou de escorrer. O ronco trocou de tom, ficou em si menor. 
Por fim, quando a linda princesinha precisou prestar contas ao malvado leão do fisco, procurou o Dr. Charlatão. Muito correto, ele disse que não podia apresentar recibo ou nota daquele extra, porque senão, deveria cobrar mais caro, à época.
Pobre princesinha, ficou com nariz deformado, 3.000,00 reais mais pobre, teve de pagar imposto e o príncipe anda dormindo na sala.
Nem a nobreza escapa!

sábado, 14 de abril de 2012

O mestre

Há homens e mulheres que nasceram pra lecionar, ajudar a formar pessoas e cidadãos. Tive a oportunidade de encontrar alguns no meu ambiente escolar. E, apesar de ter feito a escola pública, em alguns casos, encontrei mestres habilidosos e preparados, dispostos a trocar conhecimentos e, muitas vezes, abrir minha cabeça dura (alguns, não duvido, queriam usar de uma broca, martelo ou serrote). Citei um bom número do meu primário num desses textos meio que sem nexo, que deixo aqui no sótão. São daquelas pessoas que em determinadas circunstâncias ou situações vem à memória, geralmente por uma lição bem aprendida, um conselho fraterno ou uma tirada genial. 
Na véspera da Páscoa, encontrei um professor que volta e meia, topo com ele. Tipo uma vez por década, mas sempre me é prazeroso reencontrar meu velho mestre Oswaldo Mano. Estes encontros não duram mais de cinco minutos. Na oportunidade, ele tava com um pressa danada. Mas foi bacana demais, porque depois voltei pra casa viajando no tempo e lembrando da minha inesquecível turma 216 do Dom Diogo de Souza. E claro, das inolvidáveis aulas com ele. No primeiro dia, depois das apresentações, ele nos apresentou três problemas: o número um, uma equação absurda, que mais parecia grego ou hieroglifo para a maioria. O segundo apresentava algo mais palatável, mas extremamente difícil e o terceiro, um problema simples que eu havia visitado no primeiro grau. Em seu jeitão único, Oswaldo falou que o primeiro era uma questão do vestibular para entrar numa das melhores escolas do país, resolvendo o segundo, poderíamos no habilitar a alguma profissão respeitável e o terceiro era para aqueles quem tem um pai rico ou dispostos a seguir o curso da mediocridade. Cabia a cada um escolher e traçar o seu caminho. Trinta e um anos depois, percebo que optei pela terceira. E aplicou uma prova na gente. kkk 

Pela primeira vez conheci o I (insuficiente) em três dimensões: O I normal, o I- (menos) e o I com estrelinha. Obtive os três até conseguir entrar no ritmo. 
Antes de entras nas matérias nos alertou que fariam faltas as Funções e eu, até hoje imagino o que vem a ser isso. Mas, nos logarítmos (tinha uma entonação especial pra falar deles) e na equação exponencial, acertei todas na única prova que fiz na UFRGS. 
Depois, durante o ano, ele fez uma correção crucial na minha grafia ao comentar que o número 1 que eu escrevia possuía raízes. Isso comigo no quadro, de frente pra toda a turma. Até hoje, meu 1 não tem o pezinho que o sustenta.
Fora os percalços, as tremedeiras nas provas, os exaustivos exercícios e os temas de casa, o preclaro mestre tinha o salutar hábito de conversar com os alunos. Era o único que, no recreio, saia da sala dos professores, postava-se ao pé da escada e sempre havia um grupo ao seu redor. Muitas vezes, até antes das aulas... Ouvia dos nossos romances adolescentes, das dificuldades com as aulas e sempre brincava com cada um de nós, dava sugestões. E fazia hipotéticos prognósticos do nosso Grêmio. Lembro-me dele feliz dizendo que contra o São Paulo estava satisfeito com o vice-campeonato de 1981. E para nosso gáudio, vencemos aqui e lá. 
Uma vez diferenciou o bom aluno do cara brilhante. Disse que fulano, ciclano e beltrano (eu não estava entre eles, evidentemente) eram bons alunos, estudavam com afinco. Já o Jaime Walter era um crânio. Não é a toa que o Jaime, em sete anos já era Procurador da República. 
Volta e meia fazíamos piadas com sua barba e nos perguntávamos se ele não havia nascido com ela. E, entre cálculos e números ouvíamos alguma preleção sobre as benesses da haliêutica, atividade que vim praticar anos mais tarde.
Por fim, passou-se aquele ano da graça de 1981, consegui passar de calças na mão, com um generoso e inacreditável S (satisfatório). Troquei de turno e perdi aquelas boas aulas e o contato mais íntimo com o Oswaldo. 
Quando tive a oportunidade de ser professor, descaradamente usei de seus métodos, exemplos e linguagem, o que me rendeu certo sucesso, e rende ainda, com algumas paradas pelas ruas para cumprimentar ou bater uma foto com um ex- aluno disperso pelo mundo.
Daquelas figuras que a gente lembra o nome completo: Oswaldo Gomes Taveira Mano.

Essa vai para o Angelo Antunes de Souza, João Luis Souza,Guassu Padilha, Jussara Cecchini, Humberto Dias, Jaime Zimmer, Iderane Teixeira da Silva, Lise Wildner, entre outros que eu encontrar por aqui.

sábado, 24 de março de 2012

Nova filhota!!! E vamos de novo.

Buenas amigos. Minha alma paternal está se expandindo. E a felicidade, mesmo que transitória, compreende estes pequenos momentos em que a emoção sacode e fragiliza o sisudo cotidiano.
No mesmo dia em que Anna completa dez anos, vejo-me numa sala de ecografia e ficamos sabendo que eu e a Marcia Vieira seremos pais de uma MENINA! 
Já sou um pouco "curtido" mas as imagens do pequeno ser de 22cm e 300gramas de peso me fascina a cada vez que revejo o CD. O nome ainda não foi escolhido, mas os desejos e bençãos sim:

" Desejo minha filha que teus pais estejam a altura da missão que Deus lhes concedeu. Que tenhas uma infância marcada pela alegria e que teus conhecimentos cresçam de forma exponencial. Que teus sonhos vindouros, se concretizem pelo teu esforço e competência. Que vibres muito com as vitórias e aprenda com as derrotas, erguendo-se firme aos tombos que a vida eventualmente te traga. Quero, minha filha, que vivas numa época de paz e prosperidade. Que tenhas amigos e amigas. Que sejas franca e sincera, honesta e leal. Desejo que tenhas muitas oportunidades de demonstrar solidariedade, exercer a caridade e fazê-las com o coração.

Penso que devas ter fé no Deus do teu coração e que busque sempre encontrá-lo, com um espírito fraterno, humano e íntegro. 

Espero que sintas que cada minuto de tua longa vida sejam marcados pela generosidade, pelo carinho e compreensão. Que sejas pouco capitalista e mais humanista. E que possas estudar e trabalhar com dignidade e sucesso, lembrando-se de que nesta vida todos somos companheiros e passageiros da mesma viagem.

E, se Deus permitir, possas partilhar conosco, teus pais, as benesses e alegrias do teu cotidiano, pois com certeza, saibas que terá de nós o suporte e o amor. Confidencio a ti, pequena princesa, minha esperança de que o mundo será melhor com a tua chegada e mais feliz com a tua participação".

Anna, minha menina.

Hoje, 24 de março, minha filha Anna Catterinecompleta 10 anos. Uma década que preenche de alegrias a minha e muitas outras vidas. Dez anos do aprendizado contínuo de ser pai. Entre erros e acertos, creio que contemplo um saldo feliz. Nela encontro um sorriso faceiro, um coração generoso, um olhar afetivo e um jeitão alegre que contagia e cativa seus amigos. Minha filha tem o dom da palavra fácil, a meiguice da moça menina e possui um olhar profundo que parece tudo compreender. Recebeu de Deus uma beleza física que é realçada pelas suas qualidades pessoais. E graças ao mesmo Deus, recebeu defeitos, assim como qualquer ser humano. E me deixa muito tranquilo que ela procure corrigi-los, buscando evoluir e crescer. 

Sempre fico nostálgico no dia do seu aniversário. Lembro dos detalhes do parto, quando a peguei no colo pela primeira vez, dos primeiros dias, do soninho a qualquer hora, de quando engatinhava, os primeiros passos, as primeiras palavras...

Concluo que passou tudo muito rápido, mas que tudo valeu a pena. E que cada momento ficará cristalizado na memória como um doce suspiro, um enlevo que enche meu coração de paz, felicidade e orgulho de ser pai de uma menina com luz própria. Brilhante e terna. Parabéns filha! Que Deus te abençoe sempre.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Férias 2012

Eu e a patroa resolvemos sair de férias este ano. Espairecer e descansar. Vinte dias de lazer e repouso merecido (ao menos, para ela). Logo de arrancada fomos a Caxias buscar as chaves da praia. A Márcia tem uns parentes lá, gringos da cepa, que fazem capelleti em casa. Como tava fresquinho, prato da noite: a sopa da distinta massa, que lá, eles chamam de agnolini. Deixamos pra viajar no outro dia, para irmos bem descansados. A sogra estava junto e então, sem correrias desnecessárias...
No outro dia de manhã, o sonho: a linda paisagem dos campos de cima da serra era o cenário gratuíto. Destino, Arroio do Sal, caminho, A Rota do Sol. Nos primeiros 30 km tudo maravilha, tivemos mais uma companhia gringa para a viagem e a conversa e música corriam soltas. Enquanto eu me deliciava com a paisagem, ouço uma frase atirada ao ar: - Acho que esqueci a carteira e os documentos em cima da mesa!
Encosta o carro, remexe-se tudo e conclue-se: Vamos ligar pra casa ver se ficou por lá! Telefone, sem sinal! Saída, voltar... O humor véio arrefeceu um pouco durante os 60km desnecessários. Perdi o saco pras conversas, liguei o fone de ouvido no máximo e me calei até que a eloquência do cenário soltou minha língua. Falam que as estradas da serra são lindas, concordo. Mas não mexem comigo como o verde dos campos serranos, os capões, o gado, as grandes extensões...
Estava já bem feliz quando descemos a Serra do Pinto. Muitas curvas e um declive de fazer o coração parar. Com o pequeno atraso, estávamos perto do meio-dia quando passamos pelo túnel. Paramos para fazer fotos daquele visual espetacular, todos muito sorridentes, como mostra a foto ao lado. Quando estávamos quase no plano, tive a brilhante ideia de parar num quisoque. Saí de lá com canha na garrafa, aipim congelado, alguns abacaxis e uma abóbora de pescoço de 9k. No que o carro arranca, noto que os vidros não estavam fechando, o ar não funcionava e, tive a ideia mais brilhante ainda de pedir para parar. Pronto. Nada mais ligava. Nem a chave girava.
Assim, num cantão solitário, com tres mulheres no carro, o sol do meio dia na cabeça, sinal ruim de telefone, a casa mais próxima a uns 2km e eu com uma vontade enorme de socar o pescoço da abóbora num lugar específico. Restou beber a canha.
Começamos pela chamada ao seguro. Legal, funcionou! Uma hora depois chegou o taxi pra nos levar. Mas, e o guincho? Recado da seguradora: está a caminho... Alternativa um, esperar, dois, suportar o calor, três, reclamar, quarta, mandar ver na canha. Então tive outra brilhante ideia, deixar as mulheres dentro do taxi, com ar condicionado ligado, sob a sombra da única árvore disponível. Veja a alegria da patroa e mais fotos ilustrativas da situação.  






Pressionamos o seguro e o pessoal nos informa que tá a camminho. Que já tinha saído de Caxias. Caxias!? Putz! De repente, a barriga da mulherada começa a roncar. Lá vou eu com minhas ideias buscar água, salgadinhos e uns abacaxis cortados no quiosque mais próximo: uns 2km. E o sol do verão batendo e a canha fazendo efeito. Aproveitei pra tirar mais fotos. O tio do Taxi, muito bacana, após o meu retorno, diz que tem um restaurante bem perto. Outro putz!!! Lá foram elas almoçar. De raiva fiquei tomando mais canha, sozinho no sol.

Lá pelas três e meia aparece o guincho. Amarelão pra contrastar com o verde. Feitas as manobras, o carro em cima do veículo. Fomos pra praia no taxi do tio, todo mundo apertadinho, de mau humor pela situação e o meu bafo de onça. Chegamos ao fim da ópera cômica pontualmente às 17h, dando um pontapé inicial, digamos, triunfal em nossas férias... E eu com a missão de descascar a tal abóbora.



quarta-feira, 14 de março de 2012

Viagem a trabalho

Pela firma - Photo Vox (híbrido de latim e grego, que dizem o que faço) - tive de viajar a uma cidade do interior do RS. Na real, não curto muito viagens, a não ser com minha mulher, que é pra lá de parceira. Enfim, ossos do ofício (chavão), cheguei agora a pouco da epopeia...

O trabalho era simples, mas chegar na dita cidade, cruzes... Com muitas malas de apetrechos entramos num ônibus na rodoviária de Porto Alegre, às 5 da matina. Pensei em chegar no local definitivo pelas nove. O motorista me informa então que a viagem duraria (apenas) seis horas e trinta minutos (tóing!). Eu e o William nos abancamos nas poltronas 23 e 24. Pensei que ia recuperar o sono no caminho. Ledo engano. De Porto Alegre a São Leopoldo, fomos brindados com a companhia de uma casal: o homem pilchado de cima a baixo e, a mulher, trazendo na garupa, um filhotinho de uns seis meses, bom de saúde. Berrou da arrancada do ônibus até a rodoviária de São Léo. Coloquei os fones de ouvido no máximo e fui curtindo minha música intercalada com as cenas tradicionais: pai levanta, segura bebê, devolve pra mãe, mãe levanta, canta, sacode, afaga, xinga e devolve o dito pro pai. De repente, silêncio... Mataram a criança? Não, desceram...

Mas, uma pequena multidão entrou logo em seguida, se acomodando nos bancos, como dava. A caravana seguia, em intervalos de silêncio, chamadas de celulares e comentários dos passageiros. TUDO em altos decibéis. Para gáudio, registrei o seguinte diálogo ao telefone:
- Não sei se vou tomar café aí. O Bastião, sim, tá com nóis (sic). Tião, tu vais tomar café na casa do Tenébrio?...  Lá do fundo do carro, se ouve:
- Diz pra ele que vou filar a bóia...
- O bastião vai aí... Eu também... 
E aquele veículo parando de lugar em lugar, sempre com o comentário lacônico do  motorista:
- Localidade tal... cinco minutos de descanso! Pode descer todo mundo.
Eu, fiz de conta que tava dormindo. E mais gente subindo.
De vez em quando, tentava me comunicar com a patroa, mas só dava quando tinha antena de celular. Teve mensagem que ela só recebeu umas duas horas depois. Num determinado lugar, subiu uma senhora e um gurizinho. Ela, cheia de sacolas e o guri com um pastel numa mão e uma pepsi na outra. Sentaram aonde? Do meu lado, claro. Falei pro William que era vômito na certa. Ele se mandou pro único lugar vago, do lado do banheiro do ônibus. Quinze minutos e umas 250 curvas depois, ouvia a mulher esbravejando segurando uma sacola e o piazito chamando o hugo com bastante afinco. O cheiro no local era de perfume meia-boca, misturado a asa, vômito e um eventual peidinho pra alegrar o ambiente. E o ônibus, comendo estrada...
Lá pelas tantas, em meio a lugar algum (a última casa a gente tinha visto uns 20min antes), sobe uma bugra véia e um bugrinho. Registro isso, afinal havia gente naqueles cafundós.
No meio daquele tormento, atravessamos a metade do caminho. Só que numa rodoviária, o ônibus lotou e, parou do meu lado uma senhora com criança de colo. O William teve assumir seu lugar 24 e, de repente, o motorista começa a gritar:
- Quem tem passagem numerada pode sentar. Quem não tem, vai de pé mesmo!
É isso, 2012 e tem gente andando de pé nas estradas gaúchas. Contei seis pedágios na viagem.
Um dos senhores ao lado cedeu seu lugar e diminuiu o clima de tensão criado com aquela senhora e seu bebê de colo.
E o ônibus indo. Cinco horas de viagem e pela estrada, milhares de hectares de plantações. Não me contive e, relembrando o bom e velho Claudino Reck, repeti ao William a pergunta que ele havia me feito, nesta mesma estrada, 36 anos atrás (a resposta foi a mesma):
- Cara, tu viu alguma bota por aí?
- Que bota?
- Aquela que o diabo perdeu...
Enfim, chegamos ao lugarejo. Realizamos o trabalho em dois dias. Povo acolhedor e simpático, possui um hotel, onde nos hospedamos. Apelidei de Hotel do Drácula. Um casarão enorme e antigo. Eu caminhava com meus modestos 100 kg e o piso rangia sob meus pés. Pra culminar, o fígado véio e o cansaço da viagem cobraram seu preço e vomitei a noite toda, enchendo de sonoridades diferentes aquele velho casarão. Acordamos com alguém cantando a plenos pulmões um sucesso sertanejo. Preferiria um canto de galo, mas vá lá.
Fim de papo? Não, tinha a viagem de volta, outras seis horas de entretenimento. Só de sacanagem, comprei as poltronas 23 e 24. E, quando entramos, surpresa, o ônibus veio com poucos passageiros. Mas, ao meu lado... bom do meu lado, entre as trinta poltronas restantes, estava um senhor. Acompanhado de uma caixinha, Na caixinha, cervejas, muitas...
E, resolvi praticar meu espírito franciscano, respondendo com educação as perguntas do cidadão. Me ofereceu balas, o fone de ouvido pro William ouvir música, contou sua vida, perguntou da minha e, dê-lhe cerveja. Não me ofereceu um gole. Eu contei ele abrir uns 8 latões até fingir que estava dormindo. Daqui a pouco ele começou a falar sozinho. Como estava com fones de ouvido, berrava. Desceu numa estação e queria pagar o lanche do motorista. Diante da recusa pegou no braço de uma mulher e ofereceu cerveja. Bem, um fiasco. Mais adiante, me confidenciou que estava fora de casa havia um mês e que vinha pra deixar dinheiro pra mulher. E eu respondendo... Depois, fingi dormir e ouvimos o seguinte diálogo ao telefone:
- Tô chegando... Sabe que homem quando volta pra casa, que beber e comer... de tudo... Alô..alô...alô...
Depois disso, foram umas cinquenta ligações parecidas. Sempre com alguém deixando meu ébrio companheiro falando sozinho: 
-  Alô... Alôôôôôôôô... Logo em seguida começaram os elogios:
- Alô, não quer falar? filiadaputaaaaaa.... vaitefoderrrr... E mais cerveja pra enriquecer o vocabulário.
Depois que ele abriu o décimo latão eu desisti de contar e resolvi voltar a atuação de dorminhoco. Lá pelas tantas, recebo uns socos no ombro e ele me diz que chegamos (estávamos em Canoas ainda). Percebi que ele estava totalmente mamado, falando aquele idioma que só bebum entende. E sugere de pegarmos o mesmo taxi, que ele pagava. O William tremeu nas bases só de pensar em aceitar. Perto da rodoviária, as luzes acendem e ele, no meio daquele trago todo, me diz que precisaria de mim, pois estava com o coração doendo. E eu perguntei porquê. Daí ele me revela que tava feia a coisa com a mulher, que tava angustiado e amargurado, que poderia morrer sentado...
Eu disse pra ele ir pra casa e que tinha minha mulher grávida me esperando.
Pra minha surpresa, ele começou a resmungar e a chorar... Não entendi mais nada daquele algaravia e silenciei perturbado, diante daquele marmanjo de olhos marejados.
E, quando o ônibus enconstou, ele dormiu ou apagou, sei lá. Desci, peguei minhas coisas e, quando passei pela porta, dois funcionários da empresa o estavam acompanhando até a porta... 
Fim da viagem? Não! Estou aqui, ainda meditando:
Um cara, depois de um mês, dando duro pra buscar o provento da família, volta pra casa. Pra comemorar, resolve voltar se divertindo e tomando sua cerveja... Quem já não fez isso antes?
Mas, me inquieta e tira o sono pensar na família que ele atucanou pelo telefone e a mulher que o espera na soleira da porta. E, mais ainda, o fato dele ter pedido minha ajuda e eu ter ignorado. Isso, definitivamente, não é franciscano...

sábado, 10 de março de 2012

Os poloneses VI - Meu pedreiro

Uma vez contratei um pedreiro pra reforma do lar, indicação de um amigo. Como quem manda na casa é a mulher, só fiquei ouvindo o diálogo dos dois sobre o serviço. O preço, lá nas alturas... Mas, como tínhamos pressa, aceitamos. Primeira surpresa: o cidadão chegava às quinze pras oito e, oito horas já estava mandando ver, e com vontade. Percebíamos a transformação do ambiente. Era darmos uma volta, e uma janela estava arrumada, a sala pintada, o chuveiro trocado... Num dia que a patroa reclamou, ele disse: "massch tudo bééin", vamos fazer como a senhora quer."Nón" tem problema. Logo depois, tudo nos conformes, pronto pra morar. Mas, aquele MASCH... não me saia da cabeça. Já tinha ouvido aquele sotaque em algum lugar. No último dia de trabalho, meu pedreiro faceiro, com a trolha na mão, dando os últimos retoques, eu digo, sem mais nem menos:
- Dzien Dobry!
Me olhou de cima a baixo e, desconfiado respondeu:
- Dzien Dobre, Pan!
Pronto, mais um polaco descoberto. Nosso sotaque é único no Rio Grande. Os és e os as pronunciados bem abertos.
Uns dias depois ele me disse que foi à Feira do Livro e, na banca polonesa comprou um dicionário. Reclamou do preço e que, ao chegar em casa, ele e a esposa não conseguiam entender nada no livro.
- Uma grande porcaria aquilo. Aquele livro é do polonês falado hoje. Será que não tem um que a gente entenda, finalizou.
E tem razão o meu pedreiro. O polaco falado hoje nas antigas colônias tem mais de 120 anos. A última atualizacão ocorreu na década de 1920, quando vieram orientadores educacionais da Polônia às nossas bandas. Depois, o Estado Novo de Vargas fechou as escolinhas com um prejuízo incalculável para o desenvolvimento do Brasil.
Ah! E seguimos contratando ele até hoje!!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Trensurb que decepção....

Este fato ocorreu no dia 27 de Janeiro, um Sexta-feira, nas dependências da Estação Rodoviária do Trensurb. Eram 15h45min e eu ia para São Leopoldo. Não preciso dizer o calor e o movimento do pessoal que procura a Rodoviária em direção às prais nesta época. Aquilo é cheio de povo e malas.
Antes de entrar na estação propriamente dita, a gente passa numa espécie de corredor, onde tem gente que grita vendendo vale-transporte, te achaca pedindo dinheiro, outros com jornais num expositor, ficam por ali obstruindo o caminho. Ok, cada um tem seu modo de sobreviver. Mas, que é um saco, é.
Logo que passo aquele horroroso portal, percebo um aparelho sendo operado por um "segurança" do metrô. Neste aparelho, uma cadeira de rodas e, dentro desta, um menino, provavelmente com alguma deficiência física. Junto, completando a cena, uma senhora, um pouco cabisbaixa, porque o referido "segurança" passava-lhe uma descompostura em alto e bom som. Em suma, o cara estava "mijando" a mulher. Estivesse este funcionário com razão, definitivamente aquela não era uma forma adequada de orientar uma pessoa. Porque penso, deveria se preservar a criança, que tinha no seu rosto a expressão da vergonha da situação criada.
Chateado com aquilo, fui para fila comprar minha passagem. Disse fila!? Sim, tinha fila. Havia só um guichê aberto numa sexta-feira, tarde verão, na estação Rodoviária de Porto Alegre. Ao chegar minha vez de comprar o ticket, toca o telefone. O rapaz, para o que está fazendo e atende. Pronto! Rugi:
 - Um guichê de atendimento só e tu ainda vai pro telefone!!! O rapaz (dentro daquele espírito de barnabé) me responde:
- É norma da empresa dar preferência ao telefone. Pulei de dentro dos sapatos.
- E tu acha isso certo!? Com fila!? Numa sexta-feira, neste horário, uma pessoa só!? Daí ele me dá a resposta crucial.
- Meu amigo, o trem é de 12 em doze minutos... Tóinnnn!!! Na visão do barnabé, posso ficar ali de pé, porque ele sabe que o trem não vem. Que é isso!! Daí comecei a tumultuar, falando alto, as pessoas da fila rumorando...
- Como o cara se perturbou continuei com as mesmas perguntas, e ele me deu as três passagens que pedi, pra se livrar logo, só que esqueceu o troco, e eu fiquei ali. Daí já tinha gente incomodada (comigo também) e o cara me diz, se dava pra dar espaço pros outros usuários.
- Mas cadê meu troco!?? Já tava berrando e detonei:
- Cumpra seu trabalho direito (por tabela chamei o cara de incompetente)!
Pegando minhas moedas, viro as costas e ouço esta preciosidade:
- E não enche o saco!
Tóinnnnn, de novo! Voltei, e esbravejei possesso:
- O que foi que tu disse!?? O que foi que tu disse!? Ele viu que tinha ido longe demais. Fiquei encarando mais um tempo, virei as costas e segui meu caminho. Eveidente que telefonei pra reclamar. Recebi um email/carta no mesmo dia dizendo que o supervisor irá falar com o cidadão para evitar que este tipo de coisa não aconteça mais. Bem, qualquer usuário sabe do declínio do metrô. Está evidente que a demanda cresceu enquanto o serviço encolheu nestes últimos anos. Dias desses, o Ministério Público ameaçou a empresa pelas constantes falhas apresentadas. Penso que, além de trens com mais de um quarto de século em constante uso, equipamentos de manutenção deteriorados, há também o elemento humano. Pude presenciar no mesmo local, dois funcionários públicos, em atitudes inadequadas tratando mal usuários que deveriam orientar e, acima de tudo, respeitar. Espero que esta displicência moral do Trensurb não resulte num desastre que todos lamentariam por anos.
E, por fim, pra acabar de vez com essa arenga, tem a frase ilustrativa da carta que recebi da Trensurb:

Larguei da Vivo... Me estrepei na OI

Outra das historinhas, só que pode acontecer contigo. 
Semana passada fomos mudar a operadora de celular. Primeira parada: VIVO. Para cancelar a linha, te levam numa sala, equipada com três aparelhos tipo orelhão. Ou seja, tu fica ali, de pé (a patroa tá grávida), num espaço de 1,2m por 2,5m. E pra ajudar, estava ruim a ligação com o atendente do outro lado. Peguei uma cadeira e instalei a patroa nela, evidentemente bloqueando o caminho, o que causou alguns transtornos para quem queria usar os outros orelhões. Nossa saída desta operadora ficou marcada pela desconsideração.


Findo o assunto na VIVO, nos dirigimos para a nova "escolhida", a OI. Chegando lá, percebemos que tinha poucos atendentes. Dois pra ser mais preciso. E pessoas, chegando para serem atendidas. E fomos esperando e a fila de pessoas aumentando. Daí, por brincadeira peguei meu celular e comecei a filmar a loja. Se eles podem me filmar, creio que posso filmá-los também. Filmei a patroa adentrando o mundo OI e a expressão dos pacientes clientes a aguardar... Enquanto filmava a frase na parede: "Bem vindo ao mundo OI", fazia a locução, com essa voz que Deus me deu, completando: SE VOCÊ CONSEGUIR SER ATENDIDO.

Em menos de dois minutos o gerente veio nos atender. Desliguei o aparelho. Depois, outro atendente se materializou, depois outra. Parecia um filme do Harry Potter com os caras "desaparatando" no local. O que substituiu o gerente no nosso atendimento, ainda limpava farelos de alguma coisa nos cantos da boca. Acho que interrompi o rango do cara.

Enfim, como os nubentes enamorados, imaginados pelos publicitários, entramos no mundo OI. Se estamos satisfeitos? Bem, asseguro a vocês que estou sem poder fazer ligações, tenho três protocolos de atendimento (daquelas ligações telecentro, ou seja, um tempão no celular), já fizeram uma cobrança indevida e está nos meus planos ir à Loja OI amanhã, pela segunda vez nesta semana, para reclamar. Pretendo gravar o atendimento e depois postarei por aqui, se for permitido (alguém sabe de alguma lei pra isso?). Mas nossas empresas de telefonia são exatamente isso. 
O pior é a perda de tempo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Estranhamente real

Daquelas coisas estranhas. Ontem fui ao funeral de uma pessoa muito querida. Cemitério da Santa Casa, antigo. Calorão de 45 graus. Hora do sepultamento: 14h, alto sol. Coincidência ontem fazia 27 anos que meu pai morreu e, como está sepultado no mesmo cemitério, resolvi prestar uma pequena homenagem. Convidei meu irmão Genilson a ir comigo. Ele olhou pro tamanho do sol e disse que ficava pra próxima. Todo mundo foi embora e eu entrei portão adentro. Domingo, duas e meia da tarde, nem uma criatura viva naquela imensidão de túmulos. Dá uma sensação estranha. Medo, só de assaltos. Caminho rapidamente até o fim da alameda, onde está o túmulo de papai. Faço minha oração e me desculpo pelo pouco tempo com o velho, pois tava difícil ficar na sombra, imagina sob o sol de Forno Alegre. No percurso de volta, noto que o cemitério continua silencioso, sem vento, nem pássaros se ouve. Só o barulho dos carros na Oscar Pereira. Subo uns degraus de uma escada e no que fixo o olhar no caminho, surge a uma distância de uns cem metros, uma mulher, vestida dos pés a cabeça de negro, usando também uma espécie de turbante negro que balançava ao sabor de vento nenhum. Não nasci de susto, mas o cagaço foi forte. Continuei e ela, seguia seu caminho que cruzaria com o meu logo adiante. Aos poucos pude perceber as suas feições e notei uma tristeza enorme em seus olhos fixados no chão. As marcas de um sofrimento silencioso, sem lágrimas. Um luto digno e negro em meio aquela claridade. Nem sequer me olhou. Quando estava bem perto, pude notar seu suor escorrendo pelo rosto belo, nem velho, nem jovem. Entre assustado e pasmo com a cena, pensei em dar o lado, conversar, sei lá, trocar uma palavra, entender o porque daquilo, quando irrompe pelo caminho um casal de gringos gesticulando, falando alto, dizendo que era pra lá e, cruzaram por mim. Caminhei mais um pouco e ao olhar pra trás, não vi mais a mulher. Só os gringos. Caminhei entre as sepulturas, meditando, fazendo um tempo, mas não me animei a voltar. Esperei um tempo, e de vez em quando ouvia os gringos tentando se achar em meios às catacumbas. Quando eles saíram pela galeria lateral, resolvi ir embora junto. Fiz o caminho até minha casa a pé, em silêncio, intrigado porque aqueles gringos não estavam suados...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tango

Na virada do ano de 2008/09, a patroa Márcia me levou na mais longa viagem da minha vida. Conheci Montevidéu. Mais do que curtir um romance nos primeiros passos, que é delicioso, a marca daquela viagem ficou por conta de algo, para mim, surreal e inesperado. Adoro tangos, pois os ouvia desde a mais tenra infância, graças ao "anacrônico primo e sua vitrola". No último dia da viagem, já curtindo 2009, saímos a caminhar por aquelas ruas, cheias de história e pessoas simpáticas (que gostam dos brasileiros), curtindo os plátanos e o visual das casas antigas... De repente ouço o som do tango vindo ao longe. Vejo luzes na praça. Penso ser um espetáculo televisivo, quem sabe? Nos aproximamos e, para meu espanto e admiração, havia uma simples e grande caixa de som, com um aparelho de som em cima dela. Ecoava pelo local o som dos mais belos tangos, para bailar. E, num espaço de 5x8m, mais ou menos, vários casais, de diferentes idades, apenas dançavam, confraternizavam e se divertiam ao som do tango. Nós, intimidados, apenas olhávamos aquela manifestação cultural viva, no coração de Montevidéu. Velhos e jovens demonstravam sua herança, através da arte da dança. 
Depois de ter passado sob o prédio onde foi executada pela primeira vez La Cumparsita e ver o tango como espetáculo nas casas para turistas, coroou minha viagem ver aqueles velhos e os jovens mantendo viva aquela expressão cultural.

Mais ainda do que tudo, que me motiva a registrar isto, foi ouvir um grupo polonês, cantando tango de qualidade:
http://www.youtube.com/watch?v=L9L9dXWI6Qc

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ano Novo, vidas novas...

Eu não vi 2011 mais os seus meses e dias passar. Foi um piscar de olhos, como no velho bordão. Mas, numa rápida reflexão pós maratona etílica de final de ano, contabilizei um ano de muitos acontecimentos. Alguns, muito significativos. Logo de cara, iniciei o ano como o mais novo capitalista da família. Após 29 anos de dependência patronal, dei à luz a Photo Vox, como um empreendedor individual. Agradeço a patroa Márcia pelo incentivo e por colocar em ordem a papelada da firma. É uma sensação estranha não ter a tutela de um chefe e o 13o salário. Uns meses depois, encerrei legalmente um casamento de 15 anos. Com seus prós e contras, não deixa de ser uma porta fechada, uma sensação de alívio na avaliação das coisas ruins e a contrapartida da perda, nas coisas boas. Como diriam os poloneses: Koniec!
Também na arrancada profissional de 2011, realizei um antigo sonho: fotografar com estúdio. Foi uma experiência pra lá de interessante pelo resultado das fotos. Foram mais de cinco mil alunos fotografados, e um total de sete mil cliques. Acho que fiz mais de quinze mil fotos no ano passado. Imagina o que só os meus olhos viram... Algumas delas, postei por aqui. Em fevereiro o Tio Pinto morreu, encerrando um ciclo histórico da família. Outros, mais jovens ocuparam os cargos de "antigos da família". Logo talvez chegue a minha vez. E, talvez um dia, consiga escrever sobre ele e a Tia Anna.
Teve o desfile em São Leopoldo em Julho, quase uma centena de eventos apresentados, a III Vitrine Literária Polônica (das raras vezes que recebi pra fazer algo relativo), a Anna crescendo, desabrochando numa linda mocinha. Bem, em 2011 tive pouco tempo pra ter pena de mim, o que trouxe, na garupa, bons resultados. Tanto que ganhei um presente de Natal: Vou ser pai em 2012! Há uma vida a caminho e eu, tentando me organizar para recebê-la.