Como havia prometido para o meu dentista, vou deixar registrado aqui, em capítulos, as peripécias a que me expus, ao topar ser paciente dos acadêmicos de odontologia de uma universidade. Resolvi escrever ao perceber que das pessoas que iniciaram seus tratamentos comigo, uma considerável parte saltava fora. Eu, ia permanecendo, seguindo a risca o plano de ação dos professores e do meu dentista. Notava como era comum a desistência dos "colegas", suas seguidas faltas, deixando os alunos esperando, avental branco e de broca na mão.
Não tenho a intenção da crítica, antes pretendo ajudar, mostrando o ponto de vista do paciente, o cara que sofre lá, sentadinho, boca escancarada e olhos arregalados. Há a questão humana (dor e medo) que colide com a postura profissional e técnica dos professores e alunos. Vou ilustrar.
Para meu azar, meus dentes mais complicados ficam em posição de difícil acesso e, em alguns casos, as raízes eram um tanto curvas. Num deles tive de retratar os canais. Vamos lá então, abre o dente com a broca a todo o vapor, expõem-se os canais e lá vai o extrator de nervo (era esse o nome que eu ouvia) cumprir sua rotina de limpar o orifício. Seria assim se não fossem as interrupções ao chamar o professor para avaliar passo a passo o desempenho do acadêmico, o que transforma o processo numa maratona de duas a três horas de função na minha boca. Num dos canais, tinha uma complicação. Chama-se o monitor. O monitor assume e vai mais um tempo, para mim excessivamente longo. Não resolve, chama-se o professor da área e segue a furunfação na minha boca, agora com a assistência do monitor, meu dentista e de alguns alunos que, naturalmente se interessam por um caso mais difícil. Daqui a pouco minha mandíbula rangendo pelo esforço de se manter aberta para que uma mão inteira pudesse operar, passa alguem que sugere algo, ao que professor responde, exibido: Eu sou da OLD SCHOOL! E continua por mais uma meia hora, até que se dá por vencido, meio constrangido, é verdade. Daí fiquei preocupado. Estava ali há mais duas horas e, aparentemente com um problema insolúvel. Ele dá uma ordem ao meu dentista e vai para outro caso. O coração velho já batia descompassado quando o aluno, coloca umas duas gotas de uma solução no meu dente, fuça mais um pouco com o equipamento e diz: pronto. Depois, em seguida, fecha o dente e diz que terminou. É óbvio que perguntei o porque daquilo tudo. Então ele me explica que o procedimento naqueles casos era tentar ao máximo sem a aplicação da solução pois assim os alunos poderiam treinar diante da adversidade. Fiquei dois dias com dor na musculatura da mandíbula e com uma vontade crescente de não retornar, temendo colocar minhas nádegas naquela cadeirinha. Mas a pior dor acho que foi se sentir como uma cobaia experimental. Hoje eu sei como se sente um ratinho de laboratório. OLD SCHOOL é a casa do C...

Um comentário:
Old school rules! hhaeueuaehea
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