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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Procuro..

Não sei do propósito da minha existência. Ando sempre revirando pedrinhas, folhas de livros, troca de olhares e ardor, mas não tem maneira. Consolo-me em buscar sempre e deixar que os outros busquem também, livremente.

Na infância tive quem me ensinasse o valor das flores. Ao que sou muito grato. Sem essa transcendência não teria conseguido enfrentar a materialidade onipresente dos nossos tempos. Seria um tronco oco.

Ao dar os primeiros passos pelo mundo, encontrei quem me desse aconchego e abrigo. Boa parte destes pedia algo em troca. Dava o que tinha, mas guardei mais as lições daqueles que me amparavam sem nada propor.

Encontrei solitários e desesperados. Geralmente não viam nada além do seu umbigo. Estendiam sua mão, mas nada partilhavam do que tinham. Destes, a lição de não repisar seus passos.

A vida me deu mulheres generosas e amores exigentes. Àquelas que não pude atender, minha compreensão pela dor causada involuntariamente. Às poucas que se deram sem nada exigir, guardo um enorme respeito pelo seu coração amplo. E uma silenciosa torcida pela sua felicidade.

Encontrei velhas árvores e muita sombra sob seus ramos.

Tive de cuidar de muitos brotinhos. Reguei-os com o melhor de mim.

Um por do sol primaveril me fazia muito bem. Mas, nada me deixava mais feliz que uma manhã de sábado no meu bairro. Sei, difícil fazer voltar a juventude e pelas ruas não existem mais aqueles rostos queridos. Tenho de prosseguir...

O passado é uma mala que pode se tornar pesada demais.

Ganhei de brinde filhas. Nelas, os verbos ensinar, exemplificar, acompanhar ... Confesso que aprendo muito mais, apenas as observando. As exigências paternais não me fizeram um homem melhor, apenas realçaram o quanto sou inepto.

Incessante mesmo é a busca por um Deus que faça sentido. Que dê um norte a uma fé frágil. Algumas vezes acreditei encontrá-lo num abraço solidário, no trabalho com paixão, num olhar compreensivo e caloroso. Nunca, nunca mesmo, encontrei Deus ao pé de santos e padres.

Um lindo dia de sol é o que motiva este corpo um tanto deteriorado pelos excessos a prosseguir sua busca solitária. Quem sabe minha alma ao se desprender desta carcaça encontre a serenidade e as respostas que abarcaram uma vida inteira. Sigo esta senda. Um olho no céu é os pés levitando na terra.


Se meu sorriso te agrada, saiba que tenho prazer em te ver sorrir mais ainda. É a tua felicidade o que mais importa agora...

sábado, 13 de julho de 2013

Conversando com o Facebook num sábado de noite.

Sabe sr. Facebook (olá Obama, você aqui? Fique a vontade. Desculpe, mas não tenho cafezinho, não), ando um pouco entediado com as análises sobre as manifestações e os consequentes CRTL-C CRTL-V que entopem minha página. É gente apoiando a Dilma, mais um povo linchando o PT, convite pra manifestação, doação de bichinhos e outras atividades meritórias, ou nem tanto, dependendo do ponto de vista político de cada um. Há também as correntes solidárias, fotos de comidas exóticas, viagens sensacionais, os cartõezinhos religiosos, pessoas desancando o Papa e outras convidando para um momento de oração. Colorados insanos e gremistas doidos tem feito da minha página um rosário de ofensas. Evito comentar e postar alguma coisa do meu time, pois sempre aparece um sem noção que se faz de mal entendido e começa uma briga surreal. Numa determinação um tanto rude, uso como norma, a pena capital para palavrões. Deleto no ato. Deve haver elegância no uso de palavras deselegantes. Sugiro xingar em outros idiomas. 
Enfim, me parece que todos tem opinião, todos tem algo a dizer. Dia desses, um querido amigo, Lucas Barroso, jovem jornalista que escreve muito bem, registrou que não quer ser julgado e nem julgar neste "tribunal virtual". Eu, de chato, fui lá e meti o bedelho no texto dele. Só por essa frase, passou ao rol de pessoas que dou atenção ao que escreve. 
Nos tempos dos PSDB, eu lia Carta Capital e Caros Amigos. Em tempos de PT, me esforço pra ler a VEJA e alguns cronistas do Estadão. Ao fim das contas e de tantas acusações de parte a parte, concluí que nenhum político neste país está a altura do meu voto. Isso me remete à juventude, no tempo das Califórnias, quando Victor Hugo cantava "Pra onde ir..." Soa tão atual, mesmo depois de três décadas...
Pois é Facebook, tal como o senhor Orkut, vocês me aproximaram pessoas que haviam evaporado da minha vida, para o bem e para o mal. A Marianna é o resultado de um reencontro virtual, e por isso não liquidei minha velha continha lá. 
Pergunto-me, às vezes, porque dedico mais de uma hora diária lendo cada postagem aqui feita. E olha, que leio quase todas. Como se fosse um vício insaciável saber o que os outros pensam e tem a coragem de dizer...
Confesso que já me deprimi com as notícias sobre a evolução da doença de um desconhecido, bem como vibrei muito com as vitórias e conquistas de muitos outros, principalmente daqueles que foram meus alunos e hoje ocupam seu espaço dignamente. 
Num mea culpa, reconheço que exagero ao postar fotos das minhas filhas que crescem e da mulher com quem divido bons e maus momentos. Ou de algum evento bacana do meu trabalho. Mais ainda escrever frases que só meia dúzia entende o contexto, brincando de ser inteligente ou recomendando músicas de gosto muito exclusivo e restrito, bancando o cool...
Mas, de repente é o objetivo disso tudo, compartilhar o que tenho, com quem eu gosto neste mundinho virtual...