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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Um jogo para ficar na memória
sábado, 25 de dezembro de 2010
Meu dentista III - Acidentes de percurso
| O meu dentista |
Meu dentista é um jovem acadêmico, ainda incipiente nesta arte, porém repleto de entusiasmo e correto no trato com os necessitados, como convém a quem é fadado ao sucesso na vida. Devido a sua compreensível inexperiência, fui testemunha de alguns "percalços" inerentes a qualquer neófito. Como o do dia em que apertado pelo tempo despendido, se atrapalhou naquele pequeno circuito de cadeira do paciente, mesa de instrumentos e a cadeira com "rodinhas". Ao se levantar para pegar o sugador, a cadeira de rodinhas foi um pouco para trás. Depois de acomodar o sugador na minha boca, meu dentista faz um movimento de nado sincronizado, de complicada execução: com o tornozelo empurra de novo a cadeira, enquanto os joelhos se dobram acomodando o glúteo para sentar numa cadeira que as rodinhas tinham levado pra longe, sem que ele percebesse. É daqueles momentos em que tudo para! Sinto uma movimentação no ar e me encolho defensivamente. Ao lado do rosto, vejo passando rapidamente em direção ao teto duas solas de tênis 44. Logo depois o baque surdo das omoplatas se estatelando no chão, o grito dos mais assustados e o estouro dos instrumentos se espalhando. A clínica inteira cristaliza, os professores se postam atentos, os pacientes estremecem (alguns se levantam) e colegas se aproximam solícitos. Meu dentista vai se recompondo, muito encabulado, procurando retomar o mais rápido possível o seu trabalho organizando a baderna já feita.
Entre pequenas zombarias dos acadêmicos mais íntimos, um ou outro gracejo, passamos o resto da consulta quietos. Ele cabisbaixo, concentrado, evitando os olhares da turma e, de vez em quando me xingando, quando percebia minha cara divertida. Aquele ferrinho do início do texto raspava furioso o esmalte dos meus dentes.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Rádio - Quando quase demiti um colega
Os dois ali, dizendo palhaçadas, o rádio na sala de jornalismo ligado em bom volume, quando deu o intervalo comercial. Sei que fui ajudar pra colocar um CD qualquer e por pura bobagem, liguei o microfone e acabei completando a obra dando um tapão nas costas do negrão, que com aquela voz que Deus lhe deu gritou forte e sonoro CORNO!!
Lembro da gente revirando a fita do DENTEL e o cara furioso, querendo me dar uns bofetes, preocupado com a demissão, para ouvirmos como tinha saído... E, ali, gelados ouvimos as cinco letrinhas bem alto, os dois suando frio. Passando uma semana desgraçada esperando que nos chamassem para explicações... Não deu em nada, mas o Finamor não quis mais brincadeiras no estúdio.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Torresmo
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| Mano relembrando seus ancestrais poloneses. |
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| Eugênio e o mano sapecando orelhas e pés |
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| Resultado final. |
domingo, 19 de dezembro de 2010
Meu Dentista II - A cirurgia
Marcada a cirurgia, compareci tranquilo, pensando que seria rápido, iria pra casa, tomar as papinhas frias e sorvete para a cicatrização e pronto. Eu sou expert no assunto.Na sala, específica para a cirurgia, havia a temível cadeira, dominando o cenário. Notei que faltavam algumas coisas, como o aparelho que "toca" a broca, coloca água ou ar e o sugador de saliva. Os demais apetrechos para o "evento" estavam bem na minha frente, despojados e brilhantes, inclusive aquele, de aspecto assustador, similar a um alicate inoxidável, cintilando na mesinha. Para minha surpresa, o meu dentista me apresentou uma colega acadêmica e me informou que ela faria os procedimentos. Ele seria o seu assistente. Ante a minha contrariedade, ela me garantiu que era "muito boa" naquilo, que seria fácil e cômodo, pois tinha mãos leves. Bem, aí já era tarde e, muito incomodado "fechei os olhos e entreguei a Deus". Na anestesia, já senti as mãos leves da moça que, ao contrário do meu dentista, deveria repetir a disciplina de Aplicar Injeções ou pensar em outra profissão. Estivador, talvez.
Passado o primeiro "impacto" e primeiro ato do drama, após alguns saltos na cadeira, a anestia fez efeito e logo estavam afastando a gengiva do dente a fim de facilitar o procedimento. Próximo passo, afrouxar o dente e extraí-lo. Com sorte, sairia inteiro, era só costurar e eu iria pra casa. Mas, a senhorita mãos leves começou a forçar e forçar... Junto, minha cabeça começava a ir pra lá e pra cá e nada do dente sequer se mexer. A sensação é a de que todos os ossos daquela região fisiológica sofrem uma pressão brutal e de que podem partir-se de uma hora pra outra. Meu dentista teve a sua vez e também desistiu. Chama-se então o professor. Meu dentista me disse ao pé do ouvido que esse era o cabeção da área e que ficaria tudo bem. Eu acreditei.
Chega o mestre, e recomeça o sacolejo da minha cabeça. Vários termos técnicos são citados entre eles, os profissionais, quando de repente o professor pára e diz: Traz o motor! Bom, ali gelei do dedão do pé ao lóbulo da orelha. Meus cabelos já estavam em pé. Não só minha boca estava escancarada. meus olhos estavam do tamanho dela, querendo sair das órbitas. Então o poderoso mestre sai da sala e meu dentista foi providenciar o tal do motor, que estava em lugar incerto naquele momento. Naquela agitação, percebo que passa um outro professor que comenta sobre meu caso. Diante da situação, ele fala em fazer um "envelopinho" e também saí da sala. Após um tempo para mim deprimentemente longo, surge o motor, ao qual acoplam uma broca. O mestre cabeção retorna e diz que a broca tem de ser da "mais grossa" e deve-se retirar mais da gengiva. Então, do nada, eis que diante dos meus olhos a senhorita das mãos leves ergue um flamante bisturi e, em movimentos verticais e laterais daquele simpático apetrecho pergunta.: Professor eu corto de cima pra baixo ou de lado? Primeira vez que me deu a vontade de me sumir dali. Meu corpo enrigeceu de tal forma que o estofo da cadeira se transformou instantaneamente num pedaço de pau, com as costas e a bunda começando a doer, num incômodo crescente. Comecei a rezar. E praguejar internamente também.
Feitos os cortes, há o comentário de que o professor fulano havia mencionado em fazer o envelopinho. Mestre cabeção responde: Que envelopinho, que nada! Ligam o tal do motor e o brocão começa seu estrago no caminho recém aberto pelas mãos leves e seu bisturi. Por Deus! Parece que o dente tinha se fixado ao osso e teria de haver uma raspagem posterior nele, o osso. E eu ouvindo tudo aquilo, sem ao menos poder gritar por socorro, quando aparece todo paramentado para a cirurgia o nobre defensor do envelopinho. Quando percebeu que o seu envelopinho tinha sido descartado, fez um muxoxo e saiu para não voltar mais.
Antes porém, me salvou os olhos. De que jeito? Bem, como não havia o colocador de água na broca, a irrigação necessária deveria ser feita com uma seringa, com a devida agulha na ponta. Quem operava a seringa? Claro! A inesquecível mãos leves, que, entretida com o bighead em descontraída palestra sobre uma formatura recente e as atitudes pouco elogiáveis de determinado professor na cerimônia, mais as características do filho do mestre cabeção que recém chegara a este mundo e outros importantes assuntos para a ocasião, ficava com a seringa colada no meu rosto e a agulha dançando diantes dos meus olhos, conforme seu entusiasmo pelo papo e as respostas do mestre bighead. Vendo aquilo, professor envelopinho chama a atenção dela e dobra a agulha, o que afastou aquele ente ameaçador alguns centímetros salvadores. E enfim saiu. Fiz uma prece de agradecimento pela sua alma. Mas nunca soube o que seria o tal de "envelopinho".
E a broca do cabeção mandando ver, meu crânio trepidando a mil quando senti um sinistro cheiro de osso queimado. Pelo canto do olho vi o que aparentava ser faiscas saindo da minha boca. Me lembrei do esmeril de papai, que era funileiro, afiando as brocas da furadeira. Meu dentista me olhava preocupado pois eu parecia um arco-iris que trocava de cor de acordo com os comentários e instruções que eram sugeridas ali. Sabia que ele estava chateado pela conversa que era definitivamente desagradável para qualquer pessoa, ainda mais a um paciente. Fiquei feliz porque um valor ele havia desenvolvido, a ética. E eu senti que aquele colóquio, diante da situação o incomodou deveras.
Após um tempo interminável, o professor desliga a broca e recomeça aquele novo esporte de "empurra a cabeça do Estácio" e, de repente, eu não ouço, mas meu corpo todo sente: KRUUUUCHHHHH! Sinto que algo se parte dentro da minha boca. Penso comigo se vou voltar a falar novamente.
Suando e com pinguinhos de sangue por todo o avental, master bighead, anuncia que o dente quebrou em pedaços e que seria necessário tirá-los um a um... Segunda vez que deu aquela "vontade de me mandar correndo". Ele seca o suor do rosto e diz que se viu apertado com meu dente, mas que não era nada , pois assumira aquela vaga, extraindo dentes, nas mesmas condiçoes, inclusive sem o sugador. Isto implicava ter de usar gaze para secar a saliva e o sangue. Fiquei tão agradecido que quase me mijei ao invés de chorar de gratidão com aquelas palavras consoladoras.
Senhorita mãos leves então reassume o comando das ações e, premida pelo relógio, começa a extrair os cacos do dente. Findo aquele procedimento, após outros longos minutos, ouço a frase mais importante desde que a minha filha nasceu: Pronto, agora é só dar os pontos! Quase chorei de alegria. Minha bunda mais parecia um couro velho estirado cheio de percevejos e me contorcia de inexplicáveis caimbras nas pernas e costas, sob o olhar compungido do meu dentista. Imaginei que ele faria a sutura mas, para meu desespero, dona mãos leves diz que "era ótima" naquilo de sutura e começou um intrincado balé com as mãos, a linha e aquela agulha que mais parece um anzol de robalo, que até me recordou a minha mãe fazendo tricô na sala. As mãos bailando de lá prá cá, idas e vindas, murmúrios de satisfação quando acertava o ponto e algumas pragas quando não dava certo e recomeçava do zero. E a sensação do fiozinho vazando a carne, apesar da anestesia, era bem desagradável.
Bem, depois de mais de três horas e meia de duração, chegou ao fim aquela surreal experiência de vida. Eu não sentia mais minha boca, tinha uma vaga noção de que era um ser vivo, meus músculos estavam tão frouxos que levei um certo tempo para me firmar de pé, amparado pelo meu dentista. Meus olhos procuravam apenas uma coisa: a porta de saída.
Mas, quando colocava a mão fechadura, que me separava do mundo e da salvação, ouvindo distante as congratulações da senhorita mãos leves, às quais retribui, desejando intimamente que, quando chegasse a sua hora, parisse uma bigorna, quente de preferência, eis que aparece uma antiga professora (conhecida de outra cirurgia) muito simpática e querida que, ao ver o meu lamentável estado, sapecou: Quando eu olhei a radiografia e percebi como o paciente era "mignonzinho", senti que vocês teriam dificuldades. MIGNONZINHO!! Mais pareço uma miniatura de lutador de sumô, com 102kg em 1,67. MIGNON? E ela ainda dá aula na cirurgia!? Se eu pudesse, gritava!
Com mais esta inexplicável aparição acreditei que era zombaria demais do destino. Liguei então o piloto automático e não sei como achei o caminho de casa, segurando o maxilar e um papelzinho na mão pra limpar a incontível baba. Foi quando, sozinho, criei coragem e olhei pelo espelho o tamanho do estrago. Havia uma cratera ali!
Dias depois, quando estava secando, juro, dava pra enxergar a raiz do dente de trás. Fiquei mais de mês comendo papinha e alimentos macios, sentindo a saudade de um churrasco de costela e amargando o arrependimento de nao ter escovado meus dentes como deveria.
Quando o sono derrubava o apresentador e a rádio.
Eu não ia nos shows da rádio por opção e geralmente trocava de horário com algum colega que queria ir. Num show do Paralamas, com a movimentação da banda na Universidade, fui ficando na rádio e troquei, com o Beto DJ emendando os horários da noite e madrugada. Na real, fiquei umas 30 horas sem dormir. Já tinham os modernos aparelhos de CDs (portanto o ruidinho caracteríscito do LP era coisa do passado), quando resolvi dar uma "encostadinha" no sofá. Quando dei por conta, o Mauro Borba me acordava enquanto o querido amigo e colega Ronaldo Fossati colocava a rádio "no ar". Tinham voltado do show para a rádio e no meio da BR116, sem "problemas técnicos", a 107 saiu do ar. Não dei muita explicação, porque não tinha o que defender e o chefe foi bem compreensivo diante da situação. Era seguir adiante. Há um capítulo sobre o sono na madruga no livro do Mauro. Ele só não deu nome ao boi...
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Meu dentista - I
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
The End
Papai Noel antecipado...
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Quem disse que eu ouvia porcaria com 17 anos? A poesia é sinistra, bem adolescente, mas serve como uma luva.
Accept - Banda de Metal Alemã
domingo, 12 de dezembro de 2010
Santos sacerdotes...
Não pretendo alugar ninguém repassando a biografia destes, prefiro recordar do sorriso estampado a cada encontro, o espírito de acolhida e a forma terna como lidavam com os pequenos. Frei Arno explicava a Liturgia às crianças, pacientemente a cada celebração no Santa Família. Padre Léo, por sua vez, ergueu uma obra voltada às crianças pobres do 4o Distrito, em prédio anexo à Igreja dos Poloneses. Lástima que poucos conheçam a história de ambos. A eles, meu perene agradecimento e minha homenagem.
http://www.franciscanos.org.br/noticias/noticias2008/noticia189.php
http://www.poloniapoa.org/revista/09/biografia.pdf
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Coisas que a gente devia mas não esquece...
Essa é outra do tempo em que eu culpava os outros. É triste. Vale pelo tamanho da tristeza penso eu...
Não gosto de vir nesta casa. Nela está o entulho da minha infância. Cada parede recende a lamentos e murmúrios de dor, angústia e expectativa. No assoalho, eu deitava colando o nariz no chão, beijando o pó, enquanto as mãos tapavam os ouvidos. Assim acreditava que fugia da constante presença da morte.
Uma mescla de perene tristeza e fugaz alegria resumem os meus dias naquele pátio sem ornamentos. Limpo, simples e pobre. A doença que matou meu pai comigo nasceu. Tive mais sorte que ele ao curá-la antes de completar um ano. Ele enterrou sua juventude e o restante dos dias maduros dentro dos frascos, suas promessas de reabilitação e uma religiosa esperança. Depois eu já moço, enterrei seu corpo. E trouxe comigo uma saudade que não consegui sepultar.







