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sábado, 14 de abril de 2012

O mestre

Há homens e mulheres que nasceram pra lecionar, ajudar a formar pessoas e cidadãos. Tive a oportunidade de encontrar alguns no meu ambiente escolar. E, apesar de ter feito a escola pública, em alguns casos, encontrei mestres habilidosos e preparados, dispostos a trocar conhecimentos e, muitas vezes, abrir minha cabeça dura (alguns, não duvido, queriam usar de uma broca, martelo ou serrote). Citei um bom número do meu primário num desses textos meio que sem nexo, que deixo aqui no sótão. São daquelas pessoas que em determinadas circunstâncias ou situações vem à memória, geralmente por uma lição bem aprendida, um conselho fraterno ou uma tirada genial. 
Na véspera da Páscoa, encontrei um professor que volta e meia, topo com ele. Tipo uma vez por década, mas sempre me é prazeroso reencontrar meu velho mestre Oswaldo Mano. Estes encontros não duram mais de cinco minutos. Na oportunidade, ele tava com um pressa danada. Mas foi bacana demais, porque depois voltei pra casa viajando no tempo e lembrando da minha inesquecível turma 216 do Dom Diogo de Souza. E claro, das inolvidáveis aulas com ele. No primeiro dia, depois das apresentações, ele nos apresentou três problemas: o número um, uma equação absurda, que mais parecia grego ou hieroglifo para a maioria. O segundo apresentava algo mais palatável, mas extremamente difícil e o terceiro, um problema simples que eu havia visitado no primeiro grau. Em seu jeitão único, Oswaldo falou que o primeiro era uma questão do vestibular para entrar numa das melhores escolas do país, resolvendo o segundo, poderíamos no habilitar a alguma profissão respeitável e o terceiro era para aqueles quem tem um pai rico ou dispostos a seguir o curso da mediocridade. Cabia a cada um escolher e traçar o seu caminho. Trinta e um anos depois, percebo que optei pela terceira. E aplicou uma prova na gente. kkk 

Pela primeira vez conheci o I (insuficiente) em três dimensões: O I normal, o I- (menos) e o I com estrelinha. Obtive os três até conseguir entrar no ritmo. 
Antes de entras nas matérias nos alertou que fariam faltas as Funções e eu, até hoje imagino o que vem a ser isso. Mas, nos logarítmos (tinha uma entonação especial pra falar deles) e na equação exponencial, acertei todas na única prova que fiz na UFRGS. 
Depois, durante o ano, ele fez uma correção crucial na minha grafia ao comentar que o número 1 que eu escrevia possuía raízes. Isso comigo no quadro, de frente pra toda a turma. Até hoje, meu 1 não tem o pezinho que o sustenta.
Fora os percalços, as tremedeiras nas provas, os exaustivos exercícios e os temas de casa, o preclaro mestre tinha o salutar hábito de conversar com os alunos. Era o único que, no recreio, saia da sala dos professores, postava-se ao pé da escada e sempre havia um grupo ao seu redor. Muitas vezes, até antes das aulas... Ouvia dos nossos romances adolescentes, das dificuldades com as aulas e sempre brincava com cada um de nós, dava sugestões. E fazia hipotéticos prognósticos do nosso Grêmio. Lembro-me dele feliz dizendo que contra o São Paulo estava satisfeito com o vice-campeonato de 1981. E para nosso gáudio, vencemos aqui e lá. 
Uma vez diferenciou o bom aluno do cara brilhante. Disse que fulano, ciclano e beltrano (eu não estava entre eles, evidentemente) eram bons alunos, estudavam com afinco. Já o Jaime Walter era um crânio. Não é a toa que o Jaime, em sete anos já era Procurador da República. 
Volta e meia fazíamos piadas com sua barba e nos perguntávamos se ele não havia nascido com ela. E, entre cálculos e números ouvíamos alguma preleção sobre as benesses da haliêutica, atividade que vim praticar anos mais tarde.
Por fim, passou-se aquele ano da graça de 1981, consegui passar de calças na mão, com um generoso e inacreditável S (satisfatório). Troquei de turno e perdi aquelas boas aulas e o contato mais íntimo com o Oswaldo. 
Quando tive a oportunidade de ser professor, descaradamente usei de seus métodos, exemplos e linguagem, o que me rendeu certo sucesso, e rende ainda, com algumas paradas pelas ruas para cumprimentar ou bater uma foto com um ex- aluno disperso pelo mundo.
Daquelas figuras que a gente lembra o nome completo: Oswaldo Gomes Taveira Mano.

Essa vai para o Angelo Antunes de Souza, João Luis Souza,Guassu Padilha, Jussara Cecchini, Humberto Dias, Jaime Zimmer, Iderane Teixeira da Silva, Lise Wildner, entre outros que eu encontrar por aqui.

Um comentário:

GP FACAS CAMPEIRAS disse...

Bah Estacio, o professor Osvaldo apostou a barba dele pela minha cabelera, que eu nao passava. kkkkkkkkkkk é logico que..... náo topei... obvio... mesmo sabendo que ele daria a mesma prova paraa todos da turma... mas como tu falaste no texto, tudo foi um belo aprendizado para todos nós, embora eu tive um outro professor de matematica de excelente qualidade, mestre na arte do ensino, inclusive de postura ao sentar-se nas curvas cadeiras de plastico da Sao Judas Tadeu, enalteço esse grande professor, que como poucos conduzia muito bem a turma 216 e seus épicos alunos, de avidos desejos de liberdades nao exarcebadas, mas que tinham desejos digamos um pouco acima de muitos. (time de volei, grupo de teatro(até isso fizemos) kkkkk, e nossas indindaveis festas na garagem da casa de alguem, e principalmente la em casa, e nao esquecendo daa famosa pepsi de 1 litro (um copo era para o Gilson) e o restante tu sabes kkkkkkkk. Abraços