Total de visualizações de página

sábado, 10 de março de 2012

Os poloneses VI - Meu pedreiro

Uma vez contratei um pedreiro pra reforma do lar, indicação de um amigo. Como quem manda na casa é a mulher, só fiquei ouvindo o diálogo dos dois sobre o serviço. O preço, lá nas alturas... Mas, como tínhamos pressa, aceitamos. Primeira surpresa: o cidadão chegava às quinze pras oito e, oito horas já estava mandando ver, e com vontade. Percebíamos a transformação do ambiente. Era darmos uma volta, e uma janela estava arrumada, a sala pintada, o chuveiro trocado... Num dia que a patroa reclamou, ele disse: "massch tudo bééin", vamos fazer como a senhora quer."Nón" tem problema. Logo depois, tudo nos conformes, pronto pra morar. Mas, aquele MASCH... não me saia da cabeça. Já tinha ouvido aquele sotaque em algum lugar. No último dia de trabalho, meu pedreiro faceiro, com a trolha na mão, dando os últimos retoques, eu digo, sem mais nem menos:
- Dzien Dobry!
Me olhou de cima a baixo e, desconfiado respondeu:
- Dzien Dobre, Pan!
Pronto, mais um polaco descoberto. Nosso sotaque é único no Rio Grande. Os és e os as pronunciados bem abertos.
Uns dias depois ele me disse que foi à Feira do Livro e, na banca polonesa comprou um dicionário. Reclamou do preço e que, ao chegar em casa, ele e a esposa não conseguiam entender nada no livro.
- Uma grande porcaria aquilo. Aquele livro é do polonês falado hoje. Será que não tem um que a gente entenda, finalizou.
E tem razão o meu pedreiro. O polaco falado hoje nas antigas colônias tem mais de 120 anos. A última atualizacão ocorreu na década de 1920, quando vieram orientadores educacionais da Polônia às nossas bandas. Depois, o Estado Novo de Vargas fechou as escolinhas com um prejuízo incalculável para o desenvolvimento do Brasil.
Ah! E seguimos contratando ele até hoje!!

Nenhum comentário: