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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mais uma dos filhos de Esculápio

"A nossa criada/empregada/conselheira sentimental, recebeu de nós, pelos bons serviços prestados, um plano de saúde da Unimed. Coisa de uns 250/300 pilas por mês. Isso há uns três anos. Feliz da vida, fez os checkups (deve ser assim que se escreve) anuais, escolheu os médicos mais apetecíveis e, realmente usufrui dos benefícios. A obstetra de que ela gostava, a atendia ali no Moinhos, lugar chique, aonde comparecia toda arrumada, gastando um tempinho em maquiagem e roupas mais novas.
Até que um lindo dia a nossa criada embuchou, ou seja, resolveu que queria parir. Lemos com ela o manual de usuário do plano e vimos que este cobria até o quarto semi-privativo. Beleza. Confiante na sua ginecologista, fez todos os exames de praxe, passando os primeiros 4 meses muito radiante e confiante. Até o dia em que a médica, após a consulta, lhe chamou pra um particular... Foi quando nossa criada foi informada pela discípula de Hipócrates de que esta só realizava seus partos no antigo Hospital Alemão, e em quartos privativos. Além disso, haveria um custo adicional, pago em separado, extensivo à equipe médica: um tanto para a parteira, mais um tantinho pra assistente, um montinho pro pediatra e mais uma rebarba pro tal de anestesista. À vista e sem alternativas.
Chegou ela inconformada em casa e pediu nossa ajuda. Fizemos as contas, falamos com o Hospital e a brincadeira total beirava os 6.000 reais. Nossa criada teria de vender a criança pra pagar o parto. Sentiu-se no mínimo traída. Nossa criada estava sem chão. Então arregaçamos as mangas e procuramos algumas outras indicações. Demos folga a ela e, no outro dia, endereço numa mão e a esperança noutra, foi consultar Dras. Cicrana e Beltrana, com o marido a tiracolo. Ao fim da manhã retornaram os dois com caras inexplicáveis. Na sequência, minha cara ficou inexplicável também quando me disseram que a tal Cicrana era a assistente da primeira médica. E que a Dra. Beltrana cobrava seu extrazinho também...
Talvez, mais humilhante, foi a confidência da Cicrana de que não comentaria nada para a chefe da quadril... ops! equipe. Credo, ainda tinham a esperança de pegar a grana da nossa criada!
Ao fim de uma semana angustiosa de procuras e indicações, nossa criada encontrou uma médica do H.D.P. que faria o parto sem cobranças extras. Tirando as extravagâncias de três camisolas e sete calcinhas na lista de parturiente, tudo ficaria nos conformes, dentro da lei e do direito do cidadão. Bom, a espera da primeira consulta com a médica sem o "extra" foi de apenas três horas. Fiquei pensando em como está o SUS... Eta Brasilzão"

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