Olha, seria a foto de um grupo de música daqui do sul e tal. Mas, há o inusitado, aquele pontinho um tanto inútil para outrem, mas de grande significado pra mim.
Na minha vida existe o "antes e o depois "de ter ouvido o Trio Libertango, in loco. Isso lá por 1989/90, por aí.
Foi paixão à primeira escuta.
Nunca falei com nenhum dos três, mas não perdia apresentação deles no foyer do Teatro São Pedro. Daniel Wolff no violão - hoje é uma autoridade no instrumento, a linda Dunia Elias ao piano e o carismático Ricardo Pereyra - me disseram que já morreu - no cello.
Talvez eu fosse ingênuo, sei lá, mas, ao ouví-los eu ficava impressionado como um violão podia ser tocado com eloquente elegância; que um violoncelo, que eu imaginava tocado apenas por velhinhos, em mãos adequadas, torna-se imponente e muito rock and roll. E o que dizer do piano? Da pianista então? Adorável!
Por fim, a música! Entre tantas, interpretavam o tango. Belo, dramático e grandioso, o ritmo esteve presente desde as minhas mais tenras lembranças, quando o vitrolão estéreo de um parente um pouco anacrônico atormentava a vizinhança no volume máximo, naqueles meus sábados cinzentos... E eu, pequeno romântico, gostava de tango, para deboche dos conhecidos mais modernos e atualizados (ouviam Black Sabbath, vê se pode).
Anos depois, vi aqueles jovens músicos tocando com maestria o ritmo da minha criancice. Me pergunto quantos grupos foram criados dando roupagem moderna aos ritmos antigos depois deles...
Talvez por isso a alegria ao encontrar a foto... ou gratidão... quem sabe?

2 comentários:
Houve um outro "Libertano Trio": Dudu Trentin (violão), Marcelo Onofri (piano) e o já falecido Ricardo Pereyra (cello). Estavam girando pelo mundo, gravaram um CD demo (Meditango, La Muerte del Angel e Musica para Quinteto - todas de Astor Piazzolla), mas Pereyra partiu...
Bacana, obrigado pelo comentário...
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