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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Morro do Cipó - existe sim.

Numa tarde, no finzinho de dezembro de 2010, eu, a patroa Márcia e  minha mãe, resolvemos dar um passeio pras bandas de Santa Catarina, num retorno às origens da Dona Odete Martins, começando pela cidade de Sombrio e culminando no Morro do Cipó, lendário lugarejo aonde haviam habitado os "Canuto" (a família da minha avó materna), há mais de meio século.
Sem escalas, visitamos a imensa catedral da cidade de Sombrio, que, segundo os registros,  era o local dos batizados fa família. Lá  tiramos as fotos de praxe, procuramos a pia, que acreditávamos ser a mesma que a mãe foi batizada, mas não a encontramos. Após o momento religioso e, como a comitiva era na maioria feminina, visitamos as lojas. De repente, a mãe precisou ir ao banheiro. Procuramos um WC no Centro de Compras, situado na avenida principal, e, se eu antes suspeitava, fiquei com a certeza de que catarina gosta mesmo de cagar em cabungo de mato. E limpar com sabugo de milho. Tchê! Não tinha banheiro lá. A velha ficou apertada até entrarmos no grande Shopping (?) da vila do japonês (ou japonesa, nunca soube ao certo), alguns quilômetros adiante. 
Túmulo do meu avô
Mas, não nos intimidamos, e seguimos a programação. Próxima parada: descobrir o caminho.
Pior, nos primeiros informes os nativos diziam não conhecer o tal de Morro do Cipó. Daí falei em Retiro. Ah!! Alguem lembrou e me deu o precioso depoimento: "O senhor entra na estrada que vai pra Jacinto Machado. E vai... Se o senhor ver uma bota na estrada, segue tranquilo que tá no caminho. Aquela foi o diabo que perdeu. A vez que tive lá, fui de moto. O aro ficou todo torto de tanto buraco".

Bom, depois de algum tempo refletindo e avaliando prós e contras, decidimos ir. Estávamos a 240km de casa, se eu encontrasse a bota, aproveitava e dava um abraço no capeta. Mas, acho que o cara viu que a gente era gaúcho e quis tirar um sarro. A estrada é toda pavimentada, faz parte do Caminho das Olarias, estabelecimentos que povoam as duas margens da rodovia. Com toda certeza é um dos lugares mais bonitos que conheci. Havia passado por lá em 1984 e ficara bem impressionado à época. Hoje, apesar do aumento do número de casas, vale a pena contemplar aquela área com morros e muito verde até onde a vista permite.
Eu e Mami. Ao fundo o Morro do Cipó
Entramos no Retiro da União, minúsculo lugarejo, com a Igrejinha, o salão de festas e o cemitério, também pequeno, abarrotado de túmulos. Lá está sepultado meu avô Joaquim Martins. Entramos, tiramos fotos, saimos e nào vimos ninguém. A mãe me disse que o pessoal estava trabalhando na roça. Logo em seguida passamos por uma meia-água onde a densidade demográfica era bem maior. Ali estavam os únicos humanos que eu vi no Retiro. Pela placa, percebemos ser ali o boteco do lugar.
Seguimos numa estradinha de chão batido, e logo depois, 1 km mais ou menos, a mãe apontava: "lá é o Morro do Cipó. Tudo isso aqui era nosso!" Olhando aquele cerro de uns 150 metros de altitude crescendo na distância, com sua vegetação nativa, pequenos espaços onde a pedra grês pintava o vermelho entre o verde e, também, as pequenas plantações de eucalipto e banana, me emocionei. Nos aproximamos do lugar onde a mãe disse que ficava a casa em que ela nasceu. Hoje existem residências mais novas no lugar. Fizemos uma foto eu e mãe. Não ficamos muito tempo, não havia ninguém. Se não fosse o ruído e vozes que havia nas casas, poderia afirmar que todo mundo tinha saído pra passear, deixando as portas e janelas abertas. Mas nenhuma pessoa apareceu ao portão pra se inteirar daqueles desconhecidos.Do outro lado do morro, há uma comunidade se desenvolvendo, com suas residências crescendo em direção à estrada, Igreja, salão de festas e cemitérios próprios. Além da emoção, fiquei com aquela boa impressão de uma vilazinha laboriosa e trabalhadora.
Neste morro o bananal do Fundo do Saco
Com o sucesso da primeira etapa, decidimos ir até o Cotovelo, outro lugarejo sempre presente nas conversas da família. Voltamos em direção ao Retiro, quando a mãe me fala que se entrássemos à direita naquela estrada daríamos no Fundo do Saco, outro dos tantos lugares que meu avô morou naquela região. Indo pela estradinha, naquela direção, ela me mostrou o bananal aonde ela foi buscar uma grande banana para oferecer ao meu pai, quando ele esteve lá, pra pedir a mão dela em casamento. A imagem me comoveu bastante, pois sempre ouvi essa história, contada divertidamente pelas irmãs da minha mãe. Talvez esta emoção seja reforçada pelo fato de que eu estava lá também, subindo aquela encosta, com ela, 44 anos antes. Depois, rumo ao Cotovelo, outro lugarejo simples, mas com vistas belissimas e o maravilhoso Morro da Moça dominando a paisagem. Voltamos. Felizes...
Agora falta o Boi Preto. Pena que papai não está aqui pra me mostrar o caminho.

 

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