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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As Freiras II - com vocês, o reverendo Estácio

Uma das Irmãs que tenho a honra de ser amigo é a tradutora da Congregacão das Irmãs Franciscanas da  Penitência e Caridade Cristã. Hoje ela vive em Roma, de onde mantemos contato, trocamos novidades, mensagens e a afetividade generosa de amigos sinceros. De vez em quando ela me passa uns sermões também, que, diga-se de passagem, passo dias meditando. Enfim, Irmã Maria Noeli Bohn, através do convívio pessoal e cybernético tem sido nos últimos anos uma espécie de orientadora espiritual. Com ela vivi uma experiência "sui generis" que, acredito, vale a pena colocar aqui. 

Eu estava recém contratado como assessor de comunicação de um colégio quando Irmã Noeli me levou para conhecer as instalações históricas que o complexo possuia. Daquelas casualidades que o destino impõe, naquele dia havia uma assembléia importante na congregação, realizada no convento, e, uma idosa freira,  muito querida de todas, orientadora e professora de muitas irmãs, entregava piedosamente sua alma a Deus. Na hora em que estávamos chegando numa das nove capelas, havia a câmara ardente e uma pequena multidão de religiosas que vinham prestar a sua homenagem. Algumas, eu já conhecia de outros trabalhos. As outras, minha querida cicerone, me apresentava. 

Num grupo havia uma antiga Madre, muito respeitada com quem eu havia trabalhado alguns anos antes. Ela me cumprimentou calorosamente, e fui abraçando as demais irmãs, tão idosas ou mais que ela. De repente, uma delas, me olha e diz:
- Que bom ver o senhor aqui! Tudo bem?
Eu estaquei! Cara de sonso, por um breve instante, meu cérebro deu voltas  furioso procurando uma mínima pista que me dissesse de onde a conhecia. Nada!
Resignado, retribui o abraço, respondendo educadamente as perguntas. No que eu cumprimento a próxima do grupo, a velha Madre pergunta a minha "nova" amiga.
-Fulana, tu conhece ele? De onde?
Em alto e bom som, escuto:
- Mas querida, ele é da paróquia ... Ele reza uma missa tão bonita!!
Nem escutei o que disse a Madre, pois a Irmã Noeli em  socorro, rapidinho me tirou dali. Logo na sequência, encontramos a Superiora, pessoa muito especial, com quem eu tinha tido alguns pequenos contatos e tinha a certeza de que não se recordava de mim. Procurando ser elegante, a chamei pelo nome. Ela me abraça, coloca as mãos nos ombros e sapeca:
- Puxa que bom ver o senhor aqui! (de novo!!)
E como se estivesse fazendo um exercício de memória, ficou repetindo: 
- Padre...hmmm .. Padre... Como é mesmo o seu nome, padre...?
Antes que eu fosse instado a encomendar o corpo, Irmã Noeli me levou de volta ao Colégio. Levou alguns meses pra que o pessoal da escola esquecesse o apelido: Padre Estácio...

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