Ausência é a falta. Simples assim. É aquele buraco que a despeito de nossa vontade, abre-se sob os pés e nos engole por inteiro. Um rombo que nos tira do prumo e realça as descrenças, levando-nos a reflexão e a repetição contínua do pensamento. Fecham-se os horizontes. A ausência é uma parente próxima da depressão. Você deve estar imaginando que estou falando da falta de dinheiro. RSRSRS. Também poderia ser. Mas, menciono uma ausência mais perene. A falta de meu pai. Amanhã, dia 05/02, fará 28 anos em foi chamado para um plano superior. Como ela era um fervoroso católico praticante, acredito que foi para o céu. Quem sabe de mãos dadas com Santa Rita de Cássia, de quem era tão devoto.
Papai sempre foi sisudo e severo com a gente, mas também era muito afetivo. Pensei em escrever o que sei sobre a sua vida, infância, juventude, a doença que o consumiu, seus amores, a paixão por mamãe... Não daria duas páginas, tão pouco sei. Tenho dele aquela imagem austera, rígida. Quando das minhas andanças
entre a parentada, pra conhecer as gentes de onde provenho, fiquei pasmo com a imagem descrita pelos parentes, a de um cara brincalhão e, por vezes, divertido, pregando peças nos primos menores. Foi como ter notícias de outra pessoa. Mas, bem ou mal, vivemos quase 18 anos juntos... E, por mais preparado que estivesse, foi um baque. Depois a ausência, depois a contínua saudade.
Total de visualizações de página
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
O bom Estácio.
Um pouco de mim para atualizar. Bom, 2013 já está acontecendo, faz seis meses que não escrevo nada e a vida continua sua incessante marcha, realçando minha pequenez. A Marianna chegou, forte e firme, enriqueceu o cotidiano. Nasceu uma semana depois da última postagem e virou de cabeça pra baixo o dia a dia.
Nisso, aquela história de ser pai e as suas implicâncias. Quando vemos, já estamos programando a festa de um ano, ela está querendo engatinhar e seu sorriso sem dentes ilumina a casa. A Anna é uma moça. Linda e faceira. Me desconsola um pouco ele ter saído tão parecida a mim, nos traços psicológicos. Bom, não posso viver por ela. Dei minhas filhas ao mundo que as há de consumir. Procuro municiá-las para enfrentá-lo, mas sabemos todos que é uma batalha ingrata, quando não infrutífera.
Me mudei. Novos ares, quase uma nova vida. E, em novembro, reuni amigos que não via há trinta anos.
Tanta coisa aconteceu, no trabalho, na vida pessoal, na vida familiar. E, no entanto, sigo procurando. Às vésperas de completar 46 anos, sigo buscando um sentido nesta existência. Algo que justifique tanto tempo perdido entre portas meio abertas, escolhas erradas, decisões pífias, a fraqueza em tentar e aquele sentimento que deveria ser melhor. Deveria ser bom, pelo menos. Como disse uma pessoa sobre mim: " O eterno insatisfeito". E, ela está cheia de razão. Quem me fabricou deve ter determinado no DNA: Intenso, Completo e Amplo. Mas, deveria ter me dado umas ferramentas mais adequadas.
Olhando exclusivamente para o meu umbigo, se eu partisse hoje, diria que vivi intensamente. Sem lamentações... Pelo menos, creio eu. Aproveitei cada segundo como um aprendizado, mas para quê? Qual o meu legado?
Que mundo deixo eu para meus entes onde 236 jovens morrem numa ratoeira enfumaçada, quando foram apenas se divertir? Quando a classe política de meus país fede a peixe podre? Quando jovens à minha volta planejam não um bom emprego mas, sim, como farão no próximo assalto. Quando ética, gentileza e compaixão são miragens sociais e a cultura definha aos pouquinhos?
Sei, a vida segue. E eu e vocês nela... e um gosto de sal amargo na garganta me impede de saboreá-la.
Mas, há ainda os mistérios insondáveis que me cercam. Um deles, mais presente no momento é o quanto as pessoas não me levam a sério. E eu que me acreditava importante. Pois veja, das 6.345 opiniões, ponderações, sugestões e mais alguns "ães&ões" que emiti nos últimos seis meses, 6.333 foram embora devidamente ensacadinhas nos caminhões do DMLU; seis eram sobre o Grêmio e as últimas seis, fiquei no limbo, pois eram parte de um animado colóquio com a Marianna. Não sei afinal se aqueles grunhidos eram de aprovação.
Sem contar quando te verbalizam que um cão tem mais valor que uma pessoa, neste caso eu.
Pra completar a sensação de saco de batatas com braços e pernas, encimado por um porongo oco, vi impassível, na minha idade, gente gritando comigo ou fazendo piadinha de mau gosto na minha cara, pessoas que ora procuro manter a distância. Outra confissão: eu não tenho amigos próximos. O último que ainda visitava esporadicamente me desapontou de uma forma vil e vergonhosa. Teria de ter um post especial para o fato, tão pequeno e triste que foi. Anda tudo preto e branco, com 50 TONS DE CINZA.
Sei, sei é hora de reavaliar... Percebo, parodiando o Barão de Itararé, que de onde menos se espera daí é que não sai nada mesmo, e que é preciso reagir. Quando faço isso, geralmente há lágrimas. Ou deixar como está e amansar esta mágoa amarga, aumentando a postura de coadjuvante servil. Lembro agora, de outro comentário acerca de mim, quando uma pessoa que gosto muito me disse: Tu és tão cordato! Bem, também lembro que uma vez só, demonstrei a ele o desconhecido Estácio e, para meu pesar, ainda guardo seu olhar de medo e até hoje ele me evita.
Nisso, aquela história de ser pai e as suas implicâncias. Quando vemos, já estamos programando a festa de um ano, ela está querendo engatinhar e seu sorriso sem dentes ilumina a casa. A Anna é uma moça. Linda e faceira. Me desconsola um pouco ele ter saído tão parecida a mim, nos traços psicológicos. Bom, não posso viver por ela. Dei minhas filhas ao mundo que as há de consumir. Procuro municiá-las para enfrentá-lo, mas sabemos todos que é uma batalha ingrata, quando não infrutífera.
Me mudei. Novos ares, quase uma nova vida. E, em novembro, reuni amigos que não via há trinta anos.
Tanta coisa aconteceu, no trabalho, na vida pessoal, na vida familiar. E, no entanto, sigo procurando. Às vésperas de completar 46 anos, sigo buscando um sentido nesta existência. Algo que justifique tanto tempo perdido entre portas meio abertas, escolhas erradas, decisões pífias, a fraqueza em tentar e aquele sentimento que deveria ser melhor. Deveria ser bom, pelo menos. Como disse uma pessoa sobre mim: " O eterno insatisfeito". E, ela está cheia de razão. Quem me fabricou deve ter determinado no DNA: Intenso, Completo e Amplo. Mas, deveria ter me dado umas ferramentas mais adequadas.
Olhando exclusivamente para o meu umbigo, se eu partisse hoje, diria que vivi intensamente. Sem lamentações... Pelo menos, creio eu. Aproveitei cada segundo como um aprendizado, mas para quê? Qual o meu legado?
Que mundo deixo eu para meus entes onde 236 jovens morrem numa ratoeira enfumaçada, quando foram apenas se divertir? Quando a classe política de meus país fede a peixe podre? Quando jovens à minha volta planejam não um bom emprego mas, sim, como farão no próximo assalto. Quando ética, gentileza e compaixão são miragens sociais e a cultura definha aos pouquinhos?
Sei, a vida segue. E eu e vocês nela... e um gosto de sal amargo na garganta me impede de saboreá-la.
Mas, há ainda os mistérios insondáveis que me cercam. Um deles, mais presente no momento é o quanto as pessoas não me levam a sério. E eu que me acreditava importante. Pois veja, das 6.345 opiniões, ponderações, sugestões e mais alguns "ães&ões" que emiti nos últimos seis meses, 6.333 foram embora devidamente ensacadinhas nos caminhões do DMLU; seis eram sobre o Grêmio e as últimas seis, fiquei no limbo, pois eram parte de um animado colóquio com a Marianna. Não sei afinal se aqueles grunhidos eram de aprovação.
Sem contar quando te verbalizam que um cão tem mais valor que uma pessoa, neste caso eu.
Pra completar a sensação de saco de batatas com braços e pernas, encimado por um porongo oco, vi impassível, na minha idade, gente gritando comigo ou fazendo piadinha de mau gosto na minha cara, pessoas que ora procuro manter a distância. Outra confissão: eu não tenho amigos próximos. O último que ainda visitava esporadicamente me desapontou de uma forma vil e vergonhosa. Teria de ter um post especial para o fato, tão pequeno e triste que foi. Anda tudo preto e branco, com 50 TONS DE CINZA.
Sei, sei é hora de reavaliar... Percebo, parodiando o Barão de Itararé, que de onde menos se espera daí é que não sai nada mesmo, e que é preciso reagir. Quando faço isso, geralmente há lágrimas. Ou deixar como está e amansar esta mágoa amarga, aumentando a postura de coadjuvante servil. Lembro agora, de outro comentário acerca de mim, quando uma pessoa que gosto muito me disse: Tu és tão cordato! Bem, também lembro que uma vez só, demonstrei a ele o desconhecido Estácio e, para meu pesar, ainda guardo seu olhar de medo e até hoje ele me evita.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
A espera de Marianna
Amigos, ontem foi uma radiosa segunda-feira. Daquelas que me fazem questionar porque nasci na porra deste país e a insanidade de colocar filhos nele.
Começamos a semana arrumando o quarto da Marianna. Depois fomos almoçar na Petiskeira. Lá fiz o pedido e, pra agilizar, resolvi pagar a conta antes de vir a comida. No caixa, percebi que havia um ligeiro acréscimo no valor. Para minha surpresa estava embutida e registrada uma "gorjeta opcional" que não me foi comunicada. Evidente que não autorizei. Achei sacanagem, azedando o almoço.
Ah! Havia pedido que minha cerveja fosse servida antes da comida. Nada. Chegou um rapaz, colocou os pratos e perguntou se não faltava nada. Respondi que faltava a bebida. Lá foi ele.. As papilas degustativas já sentiam o sabor da cevada e... três, quatro, cinco minutos...nada. Trouxeram a comida (fria), e perguntaram (de novo) se não estava faltando nada. Se a patroa, com 38 semanas, não estivesse com bastante fome, tinha pedido meu dinheiro de volta e ido a um Restaurante de verdade. Claro que fiz devolverem o dinheiro da cerveja (deu pra comprar duas em casa) e a Petiskeira passou agora ao rol de terceira opção alimentar. Depois de passar pela segunda exploração que é o valor do estacionamento, fomos pra casa. Eu, irritado.
Lá pelas 16h e 30min nos movimentamos para a última consulta no Hospital Divina Providência, com os preparativos para o parto, etc... Fizemos a opção deste hospital depois do episódio da obstetra picareta que achacou a Márcia (registrei aqui naquele texto da empregada doméstica). Mas, enfim, este país está uma bosta, enlameado tal qual aquela gente enrolada no STF... Um retrato da malandragem, picaretagem, sacanagem. Tive nojo ontem. E temi pelo futuro de minhas filhas nesta barca podre chamada sociedade brasileira.
Chegamos lá no HDP às 17h 09min, segundo o ticket de estacionamento. Bem amigos, pra encurtar o causo, saímos quatros horas depois, às 21h 15min.
Detalhe, não foi a única vez que isso aconteceu lá com a patroa.
Nunca é menos de uma hora e meia pra uma consulta.
Ironia da atendente logo de cara: - Tenho duas notícias. Uma boa: a médica já chegou! A outra, é que vocês são os últimos da fila. Às 18h mais ou menos, ela fechou a banca e foi embora, ficando as gestantes ali esperando. O que me incomoda é que não há o cuidado de uma triagem. A mulher tá com os tornozelos do tamanho da panturrilha de tão inchados. Poderia ter sido atendida antes. Quem sabe mais um médico? Acho que tem pacientes do SUS, mas não justifica 4horas.
Amanhã vou perguntar à Unimed e à Ouvidoria do Hospital se eles acham humano esse tipo de tratamento a uma gestante. Vou perguntar o que eles achariam se a mãe deles estivesse naquela situação. Prometo!
Fechei o dia bufando, querendo complicar na saída, mas a ouvidoria do Hospital só funciona em horário comercial. E, por fim a mulher me implorou pra ficar quieto quando comecei a chiar pra pagar 15,50 de estacionamento no Hospital. Isso mesmo! Vá de ônibus, de lotação, táxi.
Só o que falta é eles complicarem na hora do parto, que nem os caras da lanchonete que me deixaram sem cerveja... Sabe-se lá. Pensar em defender seus direitos, mesmo que custe 0,05 centavos te tacham de chato. Por isso as coisas estão dessa forma.
Mas, estamos prontos pra copa e pras olimpídas...
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Mais uma dos filhos de Esculápio
"A nossa criada/empregada/conselheira sentimental, recebeu de nós, pelos bons serviços prestados, um plano de saúde da Unimed. Coisa de uns 250/300 pilas por mês. Isso há uns três anos. Feliz da vida, fez os checkups (deve ser assim que se escreve) anuais, escolheu os médicos mais apetecíveis e, realmente usufrui dos benefícios. A obstetra de que ela gostava, a atendia ali no Moinhos, lugar chique, aonde comparecia toda arrumada, gastando um tempinho em maquiagem e roupas mais novas.
Até que um lindo dia a nossa criada embuchou, ou seja, resolveu que queria parir. Lemos com ela o manual de usuário do plano e vimos que este cobria até o quarto semi-privativo. Beleza. Confiante na sua ginecologista, fez todos os exames de praxe, passando os primeiros 4 meses muito radiante e confiante. Até o dia em que a médica, após a consulta, lhe chamou pra um particular... Foi quando nossa criada foi informada pela discípula de Hipócrates de que esta só realizava seus partos no antigo Hospital Alemão, e em quartos privativos. Além disso, haveria um custo adicional, pago em separado, extensivo à equipe médica: um tanto para a parteira, mais um tantinho pra assistente, um montinho pro pediatra e mais uma rebarba pro tal de anestesista. À vista e sem alternativas.
Chegou ela inconformada em casa e pediu nossa ajuda. Fizemos as contas, falamos com o Hospital e a brincadeira total beirava os 6.000 reais. Nossa criada teria de vender a criança pra pagar o parto. Sentiu-se no mínimo traída. Nossa criada estava sem chão. Então arregaçamos as mangas e procuramos algumas outras indicações. Demos folga a ela e, no outro dia, endereço numa mão e a esperança noutra, foi consultar Dras. Cicrana e Beltrana, com o marido a tiracolo. Ao fim da manhã retornaram os dois com caras inexplicáveis. Na sequência, minha cara ficou inexplicável também quando me disseram que a tal Cicrana era a assistente da primeira médica. E que a Dra. Beltrana cobrava seu extrazinho também...
Talvez, mais humilhante, foi a confidência da Cicrana de que não comentaria nada para a chefe da quadril... ops! equipe. Credo, ainda tinham a esperança de pegar a grana da nossa criada!
Ao fim de uma semana angustiosa de procuras e indicações, nossa criada encontrou uma médica do H.D.P. que faria o parto sem cobranças extras. Tirando as extravagâncias de três camisolas e sete calcinhas na lista de parturiente, tudo ficaria nos conformes, dentro da lei e do direito do cidadão. Bom, a espera da primeira consulta com a médica sem o "extra" foi de apenas três horas. Fiquei pensando em como está o SUS... Eta Brasilzão"
Até que um lindo dia a nossa criada embuchou, ou seja, resolveu que queria parir. Lemos com ela o manual de usuário do plano e vimos que este cobria até o quarto semi-privativo. Beleza. Confiante na sua ginecologista, fez todos os exames de praxe, passando os primeiros 4 meses muito radiante e confiante. Até o dia em que a médica, após a consulta, lhe chamou pra um particular... Foi quando nossa criada foi informada pela discípula de Hipócrates de que esta só realizava seus partos no antigo Hospital Alemão, e em quartos privativos. Além disso, haveria um custo adicional, pago em separado, extensivo à equipe médica: um tanto para a parteira, mais um tantinho pra assistente, um montinho pro pediatra e mais uma rebarba pro tal de anestesista. À vista e sem alternativas.
Chegou ela inconformada em casa e pediu nossa ajuda. Fizemos as contas, falamos com o Hospital e a brincadeira total beirava os 6.000 reais. Nossa criada teria de vender a criança pra pagar o parto. Sentiu-se no mínimo traída. Nossa criada estava sem chão. Então arregaçamos as mangas e procuramos algumas outras indicações. Demos folga a ela e, no outro dia, endereço numa mão e a esperança noutra, foi consultar Dras. Cicrana e Beltrana, com o marido a tiracolo. Ao fim da manhã retornaram os dois com caras inexplicáveis. Na sequência, minha cara ficou inexplicável também quando me disseram que a tal Cicrana era a assistente da primeira médica. E que a Dra. Beltrana cobrava seu extrazinho também...
Talvez, mais humilhante, foi a confidência da Cicrana de que não comentaria nada para a chefe da quadril... ops! equipe. Credo, ainda tinham a esperança de pegar a grana da nossa criada!
Ao fim de uma semana angustiosa de procuras e indicações, nossa criada encontrou uma médica do H.D.P. que faria o parto sem cobranças extras. Tirando as extravagâncias de três camisolas e sete calcinhas na lista de parturiente, tudo ficaria nos conformes, dentro da lei e do direito do cidadão. Bom, a espera da primeira consulta com a médica sem o "extra" foi de apenas três horas. Fiquei pensando em como está o SUS... Eta Brasilzão"
terça-feira, 17 de abril de 2012
Ingênua de Neve e os 2 pilantras de jaleco
Era uma vez, um médico charlatão e uma linda princesinha indefesa com quem consultava. Um belo dia, a linda princesinha reclamou para o charlatão que não conseguia dormir direito, andava cansada e o príncipe reclamava dos roncos noturnos... Uma sinfonia em dó maior, a noite toda. Muito solícito, doutor charlatão associou-se a um médico bonitão e convenceram, através de uma fábula, de que precisavam operar o nariz da linda princesinha. Como ela era pequeninha, possuía narinas delicadas. Logo disseram que não haveria problemas e que a malvada canseira desapareceria e que o amado sono reinaria no palácio principesco. Antes porém, salientaram que deveria ser feito um depósito, fora do caro plano da Unimed, no valor de 3.000,00 para tudo sair nos conformes.
Então, o lindo nariz da princesinha, num passe de mágica se transformou numa tomada de luz, ou num narizinho de porco, escorrendo 24 horas por dia. Mas, que infelicidade, logo depois da cirurgia, o dick vigarista do bisturi, viajou pelos céus para outro reino. Não podia atendê-la naquele período. A princesinha percebeu que algumas notas de 100 voaram juntos...
Passado algum tempo, o médico bonitão retornou e tratou do ferimento com cuidado, mas sem melhoras, por incompetência ou incúria, coitado. Para sermos justos, teve uma melhora, apenas parou de escorrer. O ronco trocou de tom, ficou em si menor.
Por fim, quando a linda princesinha precisou prestar contas ao malvado leão do fisco, procurou o Dr. Charlatão. Muito correto, ele disse que não podia apresentar recibo ou nota daquele extra, porque senão, deveria cobrar mais caro, à época.
Pobre princesinha, ficou com nariz deformado, 3.000,00 reais mais pobre, teve de pagar imposto e o príncipe anda dormindo na sala.
Nem a nobreza escapa!sábado, 14 de abril de 2012
O mestre
Há homens e mulheres que nasceram pra lecionar, ajudar a formar pessoas e cidadãos. Tive a oportunidade de encontrar alguns no meu ambiente escolar. E, apesar de ter feito a escola pública, em alguns casos, encontrei mestres habilidosos e preparados, dispostos a trocar conhecimentos e, muitas vezes, abrir minha cabeça dura (alguns, não duvido, queriam usar de uma broca, martelo ou serrote). Citei um bom número do meu primário num desses textos meio que sem nexo, que deixo aqui no sótão. São daquelas pessoas que em determinadas circunstâncias ou situações vem à memória, geralmente por uma lição bem aprendida, um conselho fraterno ou uma tirada genial. Na véspera da Páscoa, encontrei um professor que volta e meia, topo com ele. Tipo uma vez por década, mas sempre me é prazeroso reencontrar meu velho mestre Oswaldo Mano. Estes encontros não duram mais de cinco minutos. Na oportunidade, ele tava com um pressa danada. Mas foi bacana demais, porque depois voltei pra casa viajando no tempo e lembrando da minha inesquecível turma 216 do Dom Diogo de Souza. E claro, das inolvidáveis aulas com ele. No primeiro dia, depois das apresentações, ele nos apresentou três problemas: o número um, uma equação absurda, que mais parecia grego ou hieroglifo para a maioria. O segundo apresentava algo mais palatável, mas extremamente difícil e o terceiro, um problema simples que eu havia visitado no primeiro grau. Em seu jeitão único, Oswaldo falou que o primeiro era uma questão do vestibular para entrar numa das melhores escolas do país, resolvendo o segundo, poderíamos no habilitar a alguma profissão respeitável e o terceiro era para aqueles quem tem um pai rico ou dispostos a seguir o curso da mediocridade. Cabia a cada um escolher e traçar o seu caminho. Trinta e um anos depois, percebo que optei pela terceira. E aplicou uma prova na gente. kkk
Pela primeira vez conheci o I (insuficiente) em três dimensões: O I normal, o I- (menos) e o I com estrelinha. Obtive os três até conseguir entrar no ritmo.
Antes de entras nas matérias nos alertou que fariam faltas as Funções e eu, até hoje imagino o que vem a ser isso. Mas, nos logarítmos (tinha uma entonação especial pra falar deles) e na equação exponencial, acertei todas na única prova que fiz na UFRGS.
Depois, durante o ano, ele fez uma correção crucial na minha grafia ao comentar que o número 1 que eu escrevia possuía raízes. Isso comigo no quadro, de frente pra toda a turma. Até hoje, meu 1 não tem o pezinho que o sustenta.
Fora os percalços, as tremedeiras nas provas, os exaustivos exercícios e os temas de casa, o preclaro mestre tinha o salutar hábito de conversar com os alunos. Era o único que, no recreio, saia da sala dos professores, postava-se ao pé da escada e sempre havia um grupo ao seu redor. Muitas vezes, até antes das aulas... Ouvia dos nossos romances adolescentes, das dificuldades com as aulas e sempre brincava com cada um de nós, dava sugestões. E fazia hipotéticos prognósticos do nosso Grêmio. Lembro-me dele feliz dizendo que contra o São Paulo estava satisfeito com o vice-campeonato de 1981. E para nosso gáudio, vencemos aqui e lá.
Uma vez diferenciou o bom aluno do cara brilhante. Disse que fulano, ciclano e beltrano (eu não estava entre eles, evidentemente) eram bons alunos, estudavam com afinco. Já o Jaime Walter era um crânio. Não é a toa que o Jaime, em sete anos já era Procurador da República.
Volta e meia fazíamos piadas com sua barba e nos perguntávamos se ele não havia nascido com ela. E, entre cálculos e números ouvíamos alguma preleção sobre as benesses da haliêutica, atividade que vim praticar anos mais tarde.
Por fim, passou-se aquele ano da graça de 1981, consegui passar de calças na mão, com um generoso e inacreditável S (satisfatório). Troquei de turno e perdi aquelas boas aulas e o contato mais íntimo com o Oswaldo.
Quando tive a oportunidade de ser professor, descaradamente usei de seus métodos, exemplos e linguagem, o que me rendeu certo sucesso, e rende ainda, com algumas paradas pelas ruas para cumprimentar ou bater uma foto com um ex- aluno disperso pelo mundo.
Daquelas figuras que a gente lembra o nome completo: Oswaldo Gomes Taveira Mano.
Daquelas figuras que a gente lembra o nome completo: Oswaldo Gomes Taveira Mano.
Essa vai para o Angelo Antunes de Souza, João Luis Souza,Guassu Padilha, Jussara Cecchini, Humberto Dias, Jaime Zimmer, Iderane Teixeira da Silva, Lise Wildner, entre outros que eu encontrar por aqui.
sábado, 24 de março de 2012
Nova filhota!!! E vamos de novo.
Buenas amigos. Minha alma paternal está se expandindo. E a felicidade, mesmo que transitória, compreende estes pequenos momentos em que a emoção sacode e fragiliza o sisudo cotidiano.
No mesmo dia em que Anna completa dez anos, vejo-me numa sala de ecografia e ficamos sabendo que eu e a Marcia Vieira seremos pais de uma MENINA!
Já sou um pouco "curtido" mas as imagens do pequeno ser de 22cm e 300gramas de peso me fascina a cada vez que revejo o CD. O nome ainda não foi escolhido, mas os desejos e bençãos sim:
" Desejo minha filha que teus pais estejam a altura da missão que Deus lhes concedeu. Que tenhas uma infância marcada pela alegria e que teus conhecimentos cresçam de forma exponencial. Que teus sonhos vindouros, se concretizem pelo teu esforço e competência. Que vibres muito com as vitórias e aprenda com as derrotas, erguendo-se firme aos tombos que a vida eventualmente te traga. Quero, minha filha, que vivas numa época de paz e prosperidade. Que tenhas amigos e amigas. Que sejas franca e sincera, honesta e leal. Desejo que tenhas muitas oportunidades de demonstrar solidariedade, exercer a caridade e fazê-las com o coração.
Penso que devas ter fé no Deus do teu coração e que busque sempre encontrá-lo, com um espírito fraterno, humano e íntegro.
Espero que sintas que cada minuto de tua longa vida sejam marcados pela generosidade, pelo carinho e compreensão. Que sejas pouco capitalista e mais humanista. E que possas estudar e trabalhar com dignidade e sucesso, lembrando-se de que nesta vida todos somos companheiros e passageiros da mesma viagem.
E, se Deus permitir, possas partilhar conosco, teus pais, as benesses e alegrias do teu cotidiano, pois com certeza, saibas que terá de nós o suporte e o amor. Confidencio a ti, pequena princesa, minha esperança de que o mundo será melhor com a tua chegada e mais feliz com a tua participação".
Assinar:
Postagens (Atom)