Este fato ocorreu no dia 27 de Janeiro, um Sexta-feira, nas dependências da Estação Rodoviária do Trensurb. Eram 15h45min e eu ia para São Leopoldo. Não preciso dizer o calor e o movimento do pessoal que procura a Rodoviária em direção às prais nesta época. Aquilo é cheio de povo e malas.
Antes de entrar na estação propriamente dita, a gente passa numa espécie de corredor, onde tem gente que grita vendendo vale-transporte, te achaca pedindo dinheiro, outros com jornais num expositor, ficam por ali obstruindo o caminho. Ok, cada um tem seu modo de sobreviver. Mas, que é um saco, é.
Logo que passo aquele horroroso portal, percebo um aparelho sendo operado por um "segurança" do metrô. Neste aparelho, uma cadeira de rodas e, dentro desta, um menino, provavelmente com alguma deficiência física. Junto, completando a cena, uma senhora, um pouco cabisbaixa, porque o referido "segurança" passava-lhe uma descompostura em alto e bom som. Em suma, o cara estava "mijando" a mulher. Estivesse este funcionário com razão, definitivamente aquela não era uma forma adequada de orientar uma pessoa. Porque penso, deveria se preservar a criança, que tinha no seu rosto a expressão da vergonha da situação criada.
Chateado com aquilo, fui para fila comprar minha passagem. Disse fila!? Sim, tinha fila. Havia só um guichê aberto numa sexta-feira, tarde verão, na estação Rodoviária de Porto Alegre. Ao chegar minha vez de comprar o ticket, toca o telefone. O rapaz, para o que está fazendo e atende. Pronto! Rugi:
- Um guichê de atendimento só e tu ainda vai pro telefone!!! O rapaz (dentro daquele espírito de barnabé) me responde:
- É norma da empresa dar preferência ao telefone. Pulei de dentro dos sapatos.
- E tu acha isso certo!? Com fila!? Numa sexta-feira, neste horário, uma pessoa só!? Daí ele me dá a resposta crucial.
- Meu amigo, o trem é de 12 em doze minutos... Tóinnnn!!! Na visão do barnabé, posso ficar ali de pé, porque ele sabe que o trem não vem. Que é isso!! Daí comecei a tumultuar, falando alto, as pessoas da fila rumorando...
- Como o cara se perturbou continuei com as mesmas perguntas, e ele me deu as três passagens que pedi, pra se livrar logo, só que esqueceu o troco, e eu fiquei ali. Daí já tinha gente incomodada (comigo também) e o cara me diz, se dava pra dar espaço pros outros usuários.
- Mas cadê meu troco!?? Já tava berrando e detonei:
- Cumpra seu trabalho direito (por tabela chamei o cara de incompetente)!
Pegando minhas moedas, viro as costas e ouço esta preciosidade:
- E não enche o saco!
Tóinnnnn, de novo! Voltei, e esbravejei possesso:
- O que foi que tu disse!?? O que foi que tu disse!? Ele viu que tinha ido longe demais. Fiquei encarando mais um tempo, virei as costas e segui meu caminho. Eveidente que telefonei pra reclamar. Recebi um email/carta no mesmo dia dizendo que o supervisor irá falar com o cidadão para evitar que este tipo de coisa não aconteça mais. Bem, qualquer usuário sabe do declínio do metrô. Está evidente que a demanda cresceu enquanto o serviço encolheu nestes últimos anos. Dias desses, o Ministério Público ameaçou a empresa pelas constantes falhas apresentadas. Penso que, além de trens com mais de um quarto de século em constante uso, equipamentos de manutenção deteriorados, há também o elemento humano. Pude presenciar no mesmo local, dois funcionários públicos, em atitudes inadequadas tratando mal usuários que deveriam orientar e, acima de tudo, respeitar. Espero que esta displicência moral do Trensurb não resulte num desastre que todos lamentariam por anos.
E, por fim, pra acabar de vez com essa arenga, tem a frase ilustrativa da carta que recebi da Trensurb:
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Larguei da Vivo... Me estrepei na OI
Outra das historinhas, só que pode acontecer contigo.
Semana passada fomos mudar a operadora de celular. Primeira parada: VIVO. Para cancelar a linha, te levam numa sala, equipada com três aparelhos tipo orelhão. Ou seja, tu fica ali, de pé (a patroa tá grávida), num espaço de 1,2m por 2,5m. E pra ajudar, estava ruim a ligação com o atendente do outro lado. Peguei uma cadeira e instalei a patroa nela, evidentemente bloqueando o caminho, o que causou alguns transtornos para quem queria usar os outros orelhões. Nossa saída desta operadora ficou marcada pela desconsideração.
Findo o assunto na VIVO, nos dirigimos para a nova "escolhida", a OI. Chegando lá, percebemos que tinha poucos atendentes. Dois pra ser mais preciso. E pessoas, chegando para serem atendidas. E fomos esperando e a fila de pessoas aumentando. Daí, por brincadeira peguei meu celular e comecei a filmar a loja. Se eles podem me filmar, creio que posso filmá-los também. Filmei a patroa adentrando o mundo OI e a expressão dos pacientes clientes a aguardar... Enquanto filmava a frase na parede: "Bem vindo ao mundo OI", fazia a locução, com essa voz que Deus me deu, completando: SE VOCÊ CONSEGUIR SER ATENDIDO.
Em menos de dois minutos o gerente veio nos atender. Desliguei o aparelho. Depois, outro atendente se materializou, depois outra. Parecia um filme do Harry Potter com os caras "desaparatando" no local. O que substituiu o gerente no nosso atendimento, ainda limpava farelos de alguma coisa nos cantos da boca. Acho que interrompi o rango do cara.
Enfim, como os nubentes enamorados, imaginados pelos publicitários, entramos no mundo OI. Se estamos satisfeitos? Bem, asseguro a vocês que estou sem poder fazer ligações, tenho três protocolos de atendimento (daquelas ligações telecentro, ou seja, um tempão no celular), já fizeram uma cobrança indevida e está nos meus planos ir à Loja OI amanhã, pela segunda vez nesta semana, para reclamar. Pretendo gravar o atendimento e depois postarei por aqui, se for permitido (alguém sabe de alguma lei pra isso?). Mas nossas empresas de telefonia são exatamente isso.
O pior é a perda de tempo.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Estranhamente real
Daquelas coisas estranhas. Ontem fui ao funeral de uma pessoa muito querida. Cemitério da Santa Casa, antigo. Calorão de 45 graus. Hora do sepultamento: 14h, alto sol. Coincidência ontem fazia 27 anos que meu pai morreu e, como está sepultado no mesmo cemitério, resolvi prestar uma pequena homenagem. Convidei meu irmão Genilson a ir comigo. Ele olhou pro tamanho do sol e disse que ficava pra próxima. Todo mundo foi embora e eu entrei portão adentro. Domingo, duas e meia da tarde, nem uma criatura viva naquela imensidão de túmulos. Dá uma sensação estranha. Medo, só de assaltos. Caminho rapidamente até o fim da alameda, onde está o túmulo de papai. Faço minha oração e me desculpo pelo pouco tempo com o velho, pois tava difícil ficar na sombra, imagina sob o sol de Forno Alegre. No percurso de volta, noto que o cemitério continua silencioso, sem vento, nem pássaros se ouve. Só o barulho dos carros na Oscar Pereira. Subo uns degraus de uma escada e no que fixo o olhar no caminho, surge a uma distância de uns cem metros, uma mulher, vestida dos pés a cabeça de negro, usando também uma espécie de turbante negro que balançava ao sabor de vento nenhum. Não nasci de susto, mas o cagaço foi forte. Continuei e ela, seguia seu caminho que cruzaria com o meu logo adiante. Aos poucos pude perceber as suas feições e notei uma tristeza enorme em seus olhos fixados no chão. As marcas de um sofrimento silencioso, sem lágrimas. Um luto digno e negro em meio aquela claridade. Nem sequer me olhou. Quando estava bem perto, pude notar seu suor escorrendo pelo rosto belo, nem velho, nem jovem. Entre assustado e pasmo com a cena, pensei em dar o lado, conversar, sei lá, trocar uma palavra, entender o porque daquilo, quando irrompe pelo caminho um casal de gringos gesticulando, falando alto, dizendo que era pra lá e, cruzaram por mim. Caminhei mais um pouco e ao olhar pra trás, não vi mais a mulher. Só os gringos. Caminhei entre as sepulturas, meditando, fazendo um tempo, mas não me animei a voltar. Esperei um tempo, e de vez em quando ouvia os gringos tentando se achar em meios às catacumbas. Quando eles saíram pela galeria lateral, resolvi ir embora junto. Fiz o caminho até minha casa a pé, em silêncio, intrigado porque aqueles gringos não estavam suados...
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Tango
Na virada do ano de 2008/09, a patroa Márcia me levou na mais longa viagem da minha vida. Conheci Montevidéu. Mais do que curtir um romance nos primeiros passos, que é delicioso, a marca daquela viagem ficou por conta de algo, para mim, surreal e inesperado. Adoro tangos, pois os ouvia desde a mais tenra infância, graças ao "anacrônico primo e sua vitrola". No último dia da viagem, já curtindo 2009, saímos a caminhar por aquelas ruas, cheias de história e pessoas simpáticas (que gostam dos brasileiros), curtindo os plátanos e o visual das casas antigas... De repente ouço o som do tango vindo ao longe. Vejo luzes na praça. Penso ser um espetáculo televisivo, quem sabe? Nos aproximamos e, para meu espanto e admiração, havia uma simples e grande caixa de som, com um aparelho de som em cima dela. Ecoava pelo local o som dos mais belos tangos, para bailar. E, num espaço de 5x8m, mais ou menos, vários casais, de diferentes idades, apenas dançavam, confraternizavam e se divertiam ao som do tango. Nós, intimidados, apenas olhávamos aquela manifestação cultural viva, no coração de Montevidéu. Velhos e jovens demonstravam sua herança, através da arte da dança.
Depois de ter passado sob o prédio onde foi executada pela primeira vez La Cumparsita e ver o tango como espetáculo nas casas para turistas, coroou minha viagem ver aqueles velhos e os jovens mantendo viva aquela expressão cultural.
Mais ainda do que tudo, que me motiva a registrar isto, foi ouvir um grupo polonês, cantando tango de qualidade:
http://www.youtube.com/watch?v=L9L9dXWI6Qc
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Ano Novo, vidas novas...
Eu não vi 2011 mais os seus meses e dias passar. Foi um piscar de olhos, como no velho bordão. Mas, numa rápida reflexão pós maratona etílica de final de ano, contabilizei um ano de muitos acontecimentos. Alguns, muito significativos. Logo de cara, iniciei o ano como o mais novo capitalista da família. Após 29 anos de dependência patronal, dei à luz a Photo Vox, como um empreendedor individual. Agradeço a patroa Márcia pelo incentivo e por colocar em ordem a papelada da firma. É uma sensação estranha não ter a tutela de um chefe e o 13o salário. Uns meses depois, encerrei legalmente um casamento de 15 anos. Com seus prós e contras, não deixa de ser uma porta fechada, uma sensação de alívio na avaliação das coisas ruins e a contrapartida da perda, nas coisas boas. Como diriam os poloneses: Koniec!
Também na arrancada profissional de 2011, realizei um antigo sonho: fotografar com estúdio. Foi uma experiência pra lá de interessante pelo resultado das fotos. Foram mais de cinco mil alunos fotografados, e um total de sete mil cliques. Acho que fiz mais de quinze mil fotos no ano passado. Imagina o que só os meus olhos viram... Algumas delas, postei por aqui. Em fevereiro o Tio Pinto morreu, encerrando um ciclo histórico da família. Outros, mais jovens ocuparam os cargos de "antigos da família". Logo talvez chegue a minha vez. E, talvez um dia, consiga escrever sobre ele e a Tia Anna.
Teve o desfile em São Leopoldo em Julho, quase uma centena de eventos apresentados, a III Vitrine Literária Polônica (das raras vezes que recebi pra fazer algo relativo), a Anna crescendo, desabrochando numa linda mocinha. Bem, em 2011 tive pouco tempo pra ter pena de mim, o que trouxe, na garupa, bons resultados. Tanto que ganhei um presente de Natal: Vou ser pai em 2012! Há uma vida a caminho e eu, tentando me organizar para recebê-la.
Também na arrancada profissional de 2011, realizei um antigo sonho: fotografar com estúdio. Foi uma experiência pra lá de interessante pelo resultado das fotos. Foram mais de cinco mil alunos fotografados, e um total de sete mil cliques. Acho que fiz mais de quinze mil fotos no ano passado. Imagina o que só os meus olhos viram... Algumas delas, postei por aqui. Em fevereiro o Tio Pinto morreu, encerrando um ciclo histórico da família. Outros, mais jovens ocuparam os cargos de "antigos da família". Logo talvez chegue a minha vez. E, talvez um dia, consiga escrever sobre ele e a Tia Anna.
Teve o desfile em São Leopoldo em Julho, quase uma centena de eventos apresentados, a III Vitrine Literária Polônica (das raras vezes que recebi pra fazer algo relativo), a Anna crescendo, desabrochando numa linda mocinha. Bem, em 2011 tive pouco tempo pra ter pena de mim, o que trouxe, na garupa, bons resultados. Tanto que ganhei um presente de Natal: Vou ser pai em 2012! Há uma vida a caminho e eu, tentando me organizar para recebê-la.
sábado, 17 de dezembro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Estreia na Língua Polonesa
Do meu núcleo familiar, sou o último que ainda sabe contar até três ou dizer "bom dia", em polonês. Pode ser que algum primo distante, em algum lugar mais distante ainda, saiba um pouco mais que eu no idioma de nossos ancestrais. Tenho ainda uma tia muito querida, que além do português, aprendeu o italiano e o polonês maternos. Quando a visito, trocamos saudações de chegada e partida no velho e bom polaco.
Meus irmãos e os primos da minha geração decoraram bem os palavrões.
Falando em palavrões, minha introdução na língua de Mickiewicz foi, digamos, sui generis. Eu devia ter uns quatro anos, quando uma irmã de papai vinda da longínqua Erechim, mais o cunhado, a tia Anna e os filhos resolveram aparecer lá em casa. A sala foi reservada para a conversa, claro toda ela em polonês. Então, nem pensar em sequer passar por ali. E foi um blablablá naquela língua chiada, marcado pelo rude sotaque da colônia. E nós, numa outra peça da casa, sem a mínima noção do que era dito por lá. De repente, um primo sacana me perguntou se eu não queria aprender polonês. E me ensinou uma frase de três letras, que eu deveria dizer para o meu pai. Repeti-a várias vezes, com a alegria infantil de aprender algo novo. Esperando o momento certo, introduziram-me na sala, e parei diante da poltrona de papai.
Sem camisa, pés descalços, aquele bugrezinho moreno, contrastando grandemente com aquela gente clara, recebe os olhares de um azul metálico severos, pois creio que interrompi um assunto muito importante. Anos depois, soube que era sério mesmo, muito.
Papai, pergunta o que eu queria. E então, bem decoradinho, sentindo-me muito importante, com bela pronúncia, tasquei:
- Tata, dajme dupa?...
Papai trocou de cor umas dez vezes em segundos. Só não apanhei ali porque na peça ao lado formou-se enorme tumulto, com os primos rolando no chão, gritando e dando risadas. Por conseguinte, papai transferiu para eles severa bronca, bem ao estilo polaco, todo o quarteirão ouvindo. Mamãe salvou a situação dizendo que o café estava servido e a conversação interrompida retomou seu rumo, à mesa.
Aproveitando a deixa, sumi instantâneamente. Voltei a tardinha para as despedidas e papai nada falou. Alguns dias depois ele começou a me ensinar os números, a Ave Maria, o sinal da cruz e algumas outras palavras, compondo parte da minha cultura polaca.
Ah, sim, a minha frase... a minha frase... como vou traduzir... Bem, eu singelamente, perguntei se papai não estava a fim de me dar o c...
Meus irmãos e os primos da minha geração decoraram bem os palavrões.
Falando em palavrões, minha introdução na língua de Mickiewicz foi, digamos, sui generis. Eu devia ter uns quatro anos, quando uma irmã de papai vinda da longínqua Erechim, mais o cunhado, a tia Anna e os filhos resolveram aparecer lá em casa. A sala foi reservada para a conversa, claro toda ela em polonês. Então, nem pensar em sequer passar por ali. E foi um blablablá naquela língua chiada, marcado pelo rude sotaque da colônia. E nós, numa outra peça da casa, sem a mínima noção do que era dito por lá. De repente, um primo sacana me perguntou se eu não queria aprender polonês. E me ensinou uma frase de três letras, que eu deveria dizer para o meu pai. Repeti-a várias vezes, com a alegria infantil de aprender algo novo. Esperando o momento certo, introduziram-me na sala, e parei diante da poltrona de papai.
Sem camisa, pés descalços, aquele bugrezinho moreno, contrastando grandemente com aquela gente clara, recebe os olhares de um azul metálico severos, pois creio que interrompi um assunto muito importante. Anos depois, soube que era sério mesmo, muito.
Papai, pergunta o que eu queria. E então, bem decoradinho, sentindo-me muito importante, com bela pronúncia, tasquei:
- Tata, dajme dupa?...
Papai trocou de cor umas dez vezes em segundos. Só não apanhei ali porque na peça ao lado formou-se enorme tumulto, com os primos rolando no chão, gritando e dando risadas. Por conseguinte, papai transferiu para eles severa bronca, bem ao estilo polaco, todo o quarteirão ouvindo. Mamãe salvou a situação dizendo que o café estava servido e a conversação interrompida retomou seu rumo, à mesa.
Aproveitando a deixa, sumi instantâneamente. Voltei a tardinha para as despedidas e papai nada falou. Alguns dias depois ele começou a me ensinar os números, a Ave Maria, o sinal da cruz e algumas outras palavras, compondo parte da minha cultura polaca.
Ah, sim, a minha frase... a minha frase... como vou traduzir... Bem, eu singelamente, perguntei se papai não estava a fim de me dar o c...
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