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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os poloneses - Quem mora em morro é cabra.

Este apanhado ouvi de diversos membros de uma mesma família, da qual suponho que tenha muito de verídico. Diz que um imigrante polonês, lá pelos idos de 1890 e tantos, socado nas entranhas das grotas das primitivas colônias de Santo Antônio da Patrulha, ao olhar os peraus e ribanceiras, a mataria pra desmatar, arar e plantar, desanimou e chorou... Em meio a tristeza e o arrependimento, passa sobre sua cabeça uma enorme ave que pousa num galho mais adiante.
- Me passa a espingarda mulher!! Bummm!! Ave, penas  e galhos vooam pra tudo quanto é lado.
Orgulhoso, apresenta o enorme galinhão pra mulher:
- Bem que me disseram que o Brasil era terra de fartura. Apronta pra gente comer!
Enquanto a família prepara a refeição, passa um brasileiro, olha aquilo tudo e avisa o nosso polonês:
- Amigo, esta ave a gente não come, é um urubu! Vem jantar comigo hoje!
De noite, na mesa do anfitrião, entre os pratos havia aipim cozido. Estranhando o desconhecido tubérculo, o imigrante tinha verdadeiros arrepios e náuseas a cada vez que o pessoal da casa engolia a mandioca. Daqui a pouco, não se aguenta mais e exclama:
- Brasileiro é bicho bem porco mesmo, come vela com pavio e tudo!

Anos mais tarde, já vivendo em Porto Alegre, com estabelecimento pros lados da Cidade Baixa, recebe a visita de um pessoal da prefeitura que lhe comunica que vão abrir uma avenida. E que esta via passava exatamente sobre a sua loja, lhe deixando muito contrariado:
- E pra onde eu vou?
O agente lhe indica a distância de uns dois quilômetros uma colina: o Morro Ricaldone (hoje, uma das áreas mais nobres na cidade, perto da Avenida Independência). Furioso, o polaco, natural das planícies polonesas responde:
- Quem mora em morro é cabra, meu amigo. Eu vou é embora daqui!
E realmente se mandou, vivendo nas proximidades de Porto Alegre os últimos trinta anos de sua vida.

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