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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O craque

Sempre fui ruim no futebol. A não ser pela insistência, nunca entraria em campo até que um dia,  resolvi montar um time e, como alugava a quadra e organizava os prélios, a minha escalação se impunha. Nos tempos do primário, jogava no gol, porque a bola insistia em bater nas partes mais inesperadas do corpo e o time acabava ganhando. 
Nas minhas mais recônditas memórias, parava eu na casa da madrinha Desolina quando rolava na praça da Rua Tunísia um jogo de futebol daqueles. Quando eu não brincava de escorregar naquele gramado, em cima de um pedaço de papelão, com meu amigo Demétrio (onde anda?), corria pro campinho, ficando de assistente. Quando alguém se machucava, aparecia o convite:
-Quer jogar?
-Sim! Arrumava as congas e me atirava dentro. Nem esperava pelo:
-Eeeentra!
Na primeira bola que sobra, meto o dedão com tudo: a redonda voa alto, forte e, caprichosamente estoura no poste, indo pra fora. Eu, vibrando com o chutaço, nem percebi o time inteiro me xingando e metendo bronca:
- O gol deles é do lado de lá, fdp...

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