Ahhh! Véééia era o bordão que meu amigo Porã citava no programa Pretinho Básico, na rádio Atlântida, e com o qual, eu e o meu irmão Genilson saudávamos a mãe, Dona Odete, com um misto de carinho e brincadeira, como era geralmente o clima em que nós nos tratávamos em casa.
Lembrei disso porque ontem, estava conversando animadamente via uatisźapi com uma das minhas primeiras alunas. Falávamos acerca de nossas mães e um assunto agrícola, quando ela demonstrou interesse em saber mais da vida da minha mãe. Fui dando detalhes e coloridos ricos, cheios dos exemplos de cuidado que dona Odete teve para com tantos ao longo da sua vida que ela sentenciou:
- Tu tens de escrever um livro!!
- Ninguém vai ler. Respondi.
- Profe... (quase 3 décadas passaram e ela, à beira de concluir seu PhD na maior universidade do país, ainda me chama de professor)... essa história daria uma minissérie... escreve em capítulos...
- Mas, guria...
Foi quando fui percebendo que realmente, a história da minha amada "mama", é um romance. Ao longo dos anos e pela nossa proximidade e intimidade, a mãe compartilhou comigo detalhes de sua infância, de ancestrais que não conheci, a vinda pra Porto Alegre e até como conheceu papai e eu fui encaminhado à este planeta...
Mas, ainda acho muito cedo. Ainda não consegui compreender a injustiça que foi cometida contra ela e, portanto não consigo escrever sobre ela e seu desprendimento amoroso para com os familiares e amigos.
Quando ouço alguém dizendo que vai votar no Bozzo, soa como mais uma martelada fria nos pregos do caixão que a levou...
E, para alguns casos, com a riqueza de detalhes necessários a uma boa leitura, teria de pedir a opinião e até autorização dos meus irmãos.
A mãe como muitas outras grandes mulheres, que mereceriam uma biografia, deixou muitos exemplos bons e positivos. O maior deles é, com certeza, a férrea vontade de viver. Que lhe foi alijada por uma política de saúde pública vergonhosa.
Pra não dizer homicida.
Um comentário:
é, amigo. Não tenho nem como acrescentar nada nesta tua análise. Acho que daria um livro, e uma minissérie sim. A vida dela e tudo o que aconteceu neste país desde que iniciam as memórias... Que a história faça justiça. A ela e a todas as vítimas. Nós sobrevivemos. Por um triz.
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