Graças a Getúlio Vargas, meu pai (O Estácio de verdade) apenas falava o idioma polonês. Óbvio que um polonês arcaico e tosco, mas falava. Aonde soubesse que tinha um polaco, ia lá praticar a língua de seus antepassados. Sob as instruções escolares e patrióticas de papai, meu universo geográfico de infância resumia-se a quatro capitais: Varsóvia, Brasília, Porto Alegre e Vila Áurea. Já meu avô, que foi educado antes da era Vargas e o Estado Novo, sabia ler, escrever e falar polonês.
Papai tentou me ensinar o polonês. Como não tenho nenhuma aptidão para línguas, as lições se encerraram quando tive de pronunciar "o pão nosso de cada dia nos dai hoje", da oração do Pai Nosso. A partir daí houve um hiato de longos anos até eu entrar no Coral da Sociedade Polônia e enveredar pelas pesquisas da Galeria de Ex-presidentes desta.
A senha que usava para entrar nas casas era: Niech bedie pochawalony Jezus Christus!
Ao ouvir o ancestral cumprimento, meu entrevistado ou entrevistada abria um sorriso e me respondia: Na wieki, wieków, Amen!
Nunca dominei o idioma, mas pela prática das músicas do coral, minha pronúncia até que era razoável, passando a impressão de ser íntimo das coisas polonesas. O Senhor Zenon Galecki dizia que meu polonês era do tipo: "zamkni porta, porque przenika vento". Tirando as brincadeiras, aprendi muito com os entrevistados e meus rudimentos polacos abriam certa cumplicidade que eu tanto necessitava para colher os dados da pesquisa.
Mas nada se comparou com a lição recebida da Sra. Janina Figurski, bibliotecária. Logo no início das pesquisas, cheguei cedo na sociedade e, estando ela na recepção, lasquei, como havia aprendido com os tios:
- Dzien Dobre! Jak sie masz? (Bom dia! Como tu estás?). Ouvi de sopetão a resposta:
- Nie pamiętam świń leczonych dziś! (Não me lembro de ter tratado dos porcos contigo hoje!)
Após pedir a tradução e observar mil desculpas pela minha "troglodice", recebi uma aula sobre a importância que os poloneses dão a uma espécie de protocolo ancestral, onde deve-se diferenciar as categorias logo nos cumprimentos preliminares.
Depois disso, nunca mais entrei num lar ou cumprimentei um polaco como íntimo. Sempre usei e uso o:
- Jak sie pan ma? ou
- Jak sie pani ma? (Como o Senhor - Senhora - está?)
Na Sociedade polonesa, dona Janina era conhecida como Panie Figurska (Senhora Figusrki), denominação mais que merecida, visto ser ela a maior autoridade em cultura polonesa no estado. Vi muita gente que não conhece polonês se referir a ela como: Dona Panie!!
O riso era geral!
Guardo desta senhora o entusiasmo com que me movia nas pesquisas e seus comentários sobre o que eu produzi. Seu respaldo e referência me permitiram escrever sobre a colônia polonesa de forma adequada e correta. Além da cultura geral e, especificamente da cultura polonesa, Panie Janina Figurski legou o apelido da minha filha: Anusia, o diminutivo polonês para Anna:
- Serdecznie dziękuję!
Papai tentou me ensinar o polonês. Como não tenho nenhuma aptidão para línguas, as lições se encerraram quando tive de pronunciar "o pão nosso de cada dia nos dai hoje", da oração do Pai Nosso. A partir daí houve um hiato de longos anos até eu entrar no Coral da Sociedade Polônia e enveredar pelas pesquisas da Galeria de Ex-presidentes desta.
A senha que usava para entrar nas casas era: Niech bedie pochawalony Jezus Christus!
Ao ouvir o ancestral cumprimento, meu entrevistado ou entrevistada abria um sorriso e me respondia: Na wieki, wieków, Amen!
Nunca dominei o idioma, mas pela prática das músicas do coral, minha pronúncia até que era razoável, passando a impressão de ser íntimo das coisas polonesas. O Senhor Zenon Galecki dizia que meu polonês era do tipo: "zamkni porta, porque przenika vento". Tirando as brincadeiras, aprendi muito com os entrevistados e meus rudimentos polacos abriam certa cumplicidade que eu tanto necessitava para colher os dados da pesquisa.
Mas nada se comparou com a lição recebida da Sra. Janina Figurski, bibliotecária. Logo no início das pesquisas, cheguei cedo na sociedade e, estando ela na recepção, lasquei, como havia aprendido com os tios:
- Dzien Dobre! Jak sie masz? (Bom dia! Como tu estás?). Ouvi de sopetão a resposta:
- Nie pamiętam świń leczonych dziś! (Não me lembro de ter tratado dos porcos contigo hoje!)
Após pedir a tradução e observar mil desculpas pela minha "troglodice", recebi uma aula sobre a importância que os poloneses dão a uma espécie de protocolo ancestral, onde deve-se diferenciar as categorias logo nos cumprimentos preliminares.
Depois disso, nunca mais entrei num lar ou cumprimentei um polaco como íntimo. Sempre usei e uso o:
- Jak sie pan ma? ou
- Jak sie pani ma? (Como o Senhor - Senhora - está?)
Na Sociedade polonesa, dona Janina era conhecida como Panie Figurska (Senhora Figusrki), denominação mais que merecida, visto ser ela a maior autoridade em cultura polonesa no estado. Vi muita gente que não conhece polonês se referir a ela como: Dona Panie!!
O riso era geral!
Guardo desta senhora o entusiasmo com que me movia nas pesquisas e seus comentários sobre o que eu produzi. Seu respaldo e referência me permitiram escrever sobre a colônia polonesa de forma adequada e correta. Além da cultura geral e, especificamente da cultura polonesa, Panie Janina Figurski legou o apelido da minha filha: Anusia, o diminutivo polonês para Anna:
- Serdecznie dziękuję!
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