Em meados daquele ano ocorreu uma nova eleição na Sociedade, com duas chapas concorrendo: Sr Jorge Kowalczyk, do grupo da Udi e meus amigos do Coral e a do Sr. Mariano Hossa, de pessoas que eu pouco conhecia à época. Meus amigos perderam e, lembro-me, não ficaram muito felizes. E eu fiquei entre duas opções: sair como boa parte dos meus amigos fez ou ficar e dar continuidade ao projeto. Optei pela segunda via, que não foi bem aceita pelo meu povo.
No dia em que acertei os detalhes da pesquisa, inventei de acompanhar o Tosia numa garrafa de wódka e uns pratos de pierogi. Foi o maior porre da minha vida! Não recordo como achei o caminho de casa (sei que falava o que sabia de polonês com todo mundo) e, óbvio deixei de comer o pastelzinho polonês por uns dez anos.
Como eu não tinha a mínima ideia da história da Sociedade, achava que seria uma barbada. Alguns dias depois, me apresentaram uma lista com 58 nomes, dos quais, sete ainda estavam vivos. Nas primeiras tres décadas era um presidente por ano. Depois do choque inicial, me perguntando por onde começar, foi quando o Presidente do Conselho Deliberativo, senhor José Konat, me disse que se eu conseguisse umas 15 fotos, seria bom e daria pra fazer a inauguração da galeria. Ele não me conhecia.
Dezoito meses depois, na última semana de 1997, com a carta do Senhor Casemiro Galarda, de Curitiba, em que reconhecia o seu professor, Feliks Zdanowski, primeiro presidente, conclui o trabalho
Desta aventura (Odisséia) que foi visitar mais de 200 lares com descendência polonesa por toda a região metropolitana de Porto Alegre, revirar os livros dos arquivos históricos, da Cúria, examinar fotos à exaustão, conversar (e aprender) com historiadores e investigadores de todo o país, resultou uma pequena monografia, editada pela Revista Projeções. Mas, acima de tudo, há o aspecto humano que foi o de ouvir e conviver com estas famílias. Houve risadas, histórias engraçadas e, algumas saudosas lágrimas.
Na inauguração da sala, a sociedade convidou representantes de todas as famílias, numa bela festa, ocorrida no salão nobre. No meio da festa, com presença do Cônsul, Marek Makowski, lembro do senhor João Paluszkiewicz, neto do presidente Jan Paluszkiewicz dizer emocionado: - É como se meu avô pudesse ver a Sociedade através dos meus olhos.
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| Antoni Ciesielski e esposa, um dos pioneiros poloneses em Porto Alegre. |

Um comentário:
Hoje, não sei porque, resolvi "fuçar" o Sótão do Estácio e deparei-me com essas histórias maravilhosas, das quais procuro me esconder, driblando fotos, livros e tudo que me remete a um passado que está lá escondidinho e que tu estás sempre nos fazendo lembrar. Um passado que pertence a eles,mas que por terem marcado tanto a história de nossa cidade,e a nossa própria história, é um maravilhoso presente que deve ser sempre compartilhado.
Continua escrevendo, e eu sorrateiramente, continuarei a ler. Abraços. Um dia deixarei a preguiça de lado e farei uma saudação na língua dos nossos antepassados.
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