Quando eu decidi cursar jornalismo, tive a decisiva influência de Dante Pianta. O nome evidentemente parecerá desconhecido às atuais gerações...
Na realidade, também não sei se era bem conhecido no período em que atuou como jornalista e crítico de arte em alguns jornais da Capital. Meus professores mais antigos não se lembravam dele. Como historiador, Dante foi quem pesquisou e escreveu o breve relato do nome ou tema das ruas em nossa cidade.
Era bastante simples e cortês, mas seus ensinamentos estão vivos em cada vez que subo num palco e apresento um evento.
Postura, dicção e compreensão do que está acontecendo são, talvez, meus melhores atributos como Mestre de Cerimônias...
Dante, por indicação da Sra. Carmem Viana, foi meu professor de Oratória. Mas seus ensinamentos foram muito além de falar e me expressar com clareza. Estimulava meu comprometimento com o evento, aprendendo tudo o que eu pudesse para conduzir uma cerimônia. De lambuja, me ensinou sobre ópera e canto. Quando terminava as aulas, ficávamos conversando sobre cultura.
E eu percebia o quanto era (e sou ainda, em muitos momentos) ignorante.
Quando lhe falei da minha dúvida sobre cursar História ou Jornalismo, disse que eu pensasse bastante...e ao optar pelo Jornalismo ele me fez um pedido:
Escreve! Escreve! Nem que seja um parágrafo por dia...
Aqui estou eu, ainda tentando...
Na última vez que falamos (continuei lhe visitando após concluir o curso), estranhei que me ofereceu conhaque. Eu o acreditava abstêmio. Minha sensibilidade gritava que algo não estava certo.
Faleceu durante uma cirurgia, num dia frio de 1991... Só fiquei sabendo dias depois, ao bater em sua porta e o vizinho do lado me avisar.
Saudade!
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