Puxando da memória, não consigo ter a lembrança de um fim de tarde de domingo em que eu estava alegre e feliz. Apesar da vista maravilhosa que tenho da sacada do apartamento e da visão privilegiada do entardecer que Porto Alegre proporciona, a melancolia do fim de domingo se insinua e vai se espalhando pelo meu corpo, absorvendo, comendo os restinhos da alegria do fim de semana.
Nada é tão broxante como um fim de tarde de domingo. Lembrar que no outro dia as tarefas, contas, compromissos e afazeres me aguardam, inibe qualquer euforia momentânea. Numa época que andei endividado tinha verdadeiras ânsias e cefaleias ao sentir o sábado correndo célere.
Já tentei atravessar o domingo bêbado, mas a dor de cabeça e ressaca na segunda, aliadas a incompreensão de familiares e amigos me fizeram repensar a extensão do trago depois do churrasco. Tentei ir à Missa, caminhar, estudar, ver televisão e até incomodar a patroa para um "selvagem vespertino" mas ainda assim as horas se arrastam e, com elas, o peso de que o inexorável amanhã está chegando. Quando o Grêmio perde, então, até o tico encolhe de tristeza.
Sobrou me conformar e esperar, escrevendo esta azeda abobrinha no blog. Coloco uma fotinho de mais um por do sol. Só que este, represente bem meu ânimo nestas horas inconsoláveis que prenunciam o início de mais uma semana.

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