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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Minha História de Natal


Eu brinco que mandei pra RBS a historinha que vem a seguir. Ela é absolutamente verídica. Fiquei com vontade de escrevê-la quando ao contemplarmos

nossos filhos curtindo o espírito natalino, perguntei ao meu irmão se ele lembrava de um longínquo natal em que recebemos pela primeira (e única vez) Papai Noel em nossa casa (a resposta dele, ao final do texto).

Tinha eu uns cinco anos, meu irmão do meio, quatro. O mais novo estava ou no berço, ou a caminho. Ele não fez parte da movimentação naquele dia. Era véspera de Natal, e lá em casa, sempre havia, houve e haverá, um presentinho. Mesmo simples, nunca deixei de receber um brinquedinho de Papai Noel, personalidade que eu respeitava muito. Tanto que, perto do Natal, a gente ouvia: "o Papai Noel vai saber!" , "olha que o Papai Noel tá olhando". Eu adorava e temia aquela figura onisciente. Procurava me comportar para ser digno do presentinho. Naquela noite, lembro-me, havia a tradicional vigília, uma ceia com os inolvidáveis salgadinhos da mamãe, dormíamos mais tarde, esperávamos passar a meia-noite. Enfim, uma festa. Qualquer ruído nos alertava. Poderia ser o bom velhinho se aproximando. Com certeza nossos olhos estavam arregalados, tamanha a expectativa. Quando, saindo das sombras (havia muitas árvores no pátio), surge Papai Noel, em sua tradicional roupa vermelha, o saco às costas e...... uma longa varinha na mão. Haviam nos dito que ele usava para "tocar" as renas na sua "carroça". Atônitos, nos encolhemos no canto da sala, enquanto ele saudando a todos entrava na peça. Logo abriu o saco e tirou uma "tombadeirinha" de plástico, maravilhosa, que levantava a caçamba. Democrático deu uma pra cada um. Agradecemos felizes e já íamos sair pra rua, quando ele perguntou se nos comportamos. Pra meu espânto, meus pais começaram a relatar as diabruras que aprontávamos. Algumas eu nem me lembrava mais e, claro, acreditava na compreensão do bom e querido velhinho... Papai Noel filho da puta! Desancou o pau em nós. Era uma varada atrás da outra. E o desgraçado ainda gritava que deveríamos nos comportar bem de agora em diante, senão ele voltava. Meu irmão que sempre foi mais esperto, conseguiu uma brecha naquele círculo e escapuliu. O brinquedo ficou. Eu não queria me separar do meu novo carrinho. Então não sabia se segurava o presente ou protegia as pernas do castigo. Papai Noel filho da puta! Desancou o pau em nós. Depois de satisfeita a sanha e concluido o espancamento e, após nossas chorosas promessas de melhorar, ele se preparou para partir. Fiquei tão feliz quando ele sumiu nas sombras do pátio vizinho, que até rezei de contentamento. Juro que amenizou a dor das varadas. Por fim e, o melhor de tudo é que nunca mais o encontramos lá em casa. Talvez um arrependimento tardio lhe deixou envorgonhado, um remorso qualquer, sei lá... Sempre que ele chegava nos natais posteriores, ou tinhamos saído, estávamos noutra parte da casa, enfim nunca cruzamos mais com ele, só ficava o recado: comportem-se. Até que foi bom, pois,
meu irmão que pra minha surpresa, ainda lembrava daquilo, me respondeu: "Se eu achasse aquele papai noel, ia quebrar as pernas dele". Esta é a minha singela História de Natal....

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Quando termina uma pesquisa. Texto de um ano atrás..

Koniec significa fim em polonês. E foi um PLIM! KONIEC!
Entre dezenas de informações, abri um arquivo e... buuuumm, o cérebro sacudiu. Naquele momento tomei consciência de que podia






mapear e contar a trajetória da minha família NIEVINSKI, desde que o nosso imigrante (descendemos todos de um só casal) saiu desta aldeia (Zakrzewo - Arbusto - Arvorezinha) na Polônia. O navio, as gentes, o casório e as cidades por onde seus 13 filhos se espraiaram ao longo do século XX, até chegar aqui, madrugada alta em Porto Alegre: eu, sozinho, na frente do computador. Alegria! Afinal foram apenas 32 anos de busca. Heheheh. 
Idas e vindas. Vidas inúmeras que partilharam pedaços de suas histórias, que fui reunindo num quebra-cabeças.. 
Uma lástima um tanto dolorosa é a de que eu não tenho ninguém mais dos antigos pra contar esta aventura. Obrigado ao Gilberto Magroski. Aos meus colegas do Cekaw: Paulo Gilberto Geliski Diego De Leão Pufal e Ademir Grzesczak. Vocês foram fundamentais para que eu não desistisse. Valeu patroa Márcia Vieira. Vamos conhecer um cantinho da Polônia?
Acho que, só de sacanagem, não vou contar pra ninguém a historinha.
Hahahah! Tá bom. Só vou contar pra Marcelo Fátima e Odair Nievinski, William Goroncy Do Nascimento Marcos Nievinski Michelle Fabizsak Felipe Geremia Nievinski Rose Nievinski Camila Bittencourt Nievinski Genilson Nievinski Eric Vieira Nievinski Delci Nievinski Jurema Nievinski Gabriella Pinto Elaine Beatriz Pinto Zenaide Nievinski Anna Catterine Anna Araujo Fabíola Nieviski Adelina Goroncy Claudia N Ramos Diego Nievinski
A Dona Ewa Wyszkowski (Niewińska) (Fałkowska) é uma personagem de contos dramáticos nessa história. Quiçá alguém a conte, um dia.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Os Poloneses - O Retorno

Depois de uns bons anos longe das polaquices, eis que surge um convite irrecusável: apresentar o evento de posse do Novo Cônsul Honorário da República da Polônia no Rio Grande do Sul, Sr. Sergio Sechinski, no Salão Nobre da centenária Sociedade Polônia. Me vesti a rigor, coloquei o relógio do Zenon Gałecki e de braços dados com o Pedro Czarnina, adentrei o antigo clube. Lá revi bons conhecidos, senti falta de algumas almas que partiram e, enquanto Czarnina se aboletava perto da copa, tratei de acertar os detalhes do cerimonial. Ah! Eu  fiquei muito feliz com a gurizada presente, o que reduziu a media de idade para uns 80 anos, mais ou menos. Belos discursos, sala repleta de polacos. Algumas pessoas foram também. Cantamos os hinos com entusiasmo. E, pelo tom das falas,  sopram ventos de outros quadrantes na Polônia e começamos a senti-lo por aqui. Muita gente olhando sua ancestralidade polonesa com mais atenção e, de repente, aquele bisavô com fama de turrão e que gostava de um goró forte passou a ter importância e está sendo estudado. Enfim, o mesmo pensamento de mudança e oportunidade que nos trouxe de lá, inflam as velas dessa gurizada que olha a Polônia como um caminho a seguir, seja para estudo ou, para uma nova vida. O Cekaw tava por lá, mais o Pe. Zdzislaw que falou muito "bonhito" na opinião do Czarnina. Jan Kapusta não foi e teve pouca música. Depois, pra fechar a noite, resenha do Cekaw num buteco e  aturar o Czarnina, feliz no banco de trás do carro, berrando Hej Sokoły até em casa. Sucesso ao novo Cônsul, plenamente aprovado pelo rigor crítico e estético de Piotr Czarnina.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Minhas filhas

Elas crescem fortes e lindas. Muito mais do que pedi. Inteligentes e brilhantes vão superar o velho pai nas amizades e romances. Que a vida lhes seja doce. Se não for, sei que ambas tem uma estrutura que lhes permitirá superar obstáculos e dificulfades. Minhas meninas! Anna e Marianna. Meus grandes amores da matueidade!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Os Poloneses - A Fama

Recentemente optei por dar um novo rumo a minha vida. Tomei algumas decisões importantes e fortes. Uma delas, a de não me envolver mais com os assuntos poloneses. Mas, como foi quase uma vida nessa folia polaca, resta alguns causos e histórias... 
Relato uma ...

Quando participei como painelista do Seminário Internacional da Etnia Polonesa na URI, em Erexim (Bah! Em outubro fez 14 anos), fui convidado para um jantar, realizado na noite anterior ao evento, nas dependências da Sociedade Rui Barbosa. Várias autoridades acadêmicas, PHD'S, Doutores, Mestres e eu, de curioso, por lá. Completamente desconhecido, fui apresentado aos demais "colegas" do Seminário como o radialista e professor que fazia pesquisas sobre os polacos de Porto Alegre. Filho de um descendente polonês de quatro costados e uma cabocla do litoral de Santa Catarina, minha pele, diferente da dos meus irmãos, é bem mais morena. Quando pequeno, eu parecia um indiozinho. Meu pai me chamava "czarna polska", ou seja, polaco preto. Fisicamente, herdei dos poloneses o branco dos olhos e o sobrenome complicado. Psicologicamente, um temperamento dos infernos. Não é a toa que os poloneses dizem: "Em nossas veias ferve o sangue dos falcões".

Logo de cara, na entrada da venerável sociedade, fomos recebidos pelos locais mais importantes. Uma polonesa nata, estranhando o "moreno / negrão" (czarna) no meio da delegação de Porto Alegre, segurou minha mão e, em polonês pergunta: Ty jest polski? (tu és polonês?). Na hora, me fiz de esquerdo, pedi ajuda, disse que não entedia (e não entendia mesmo), ficando ali meio sem graça, meio chateado, com o sangue indo pros 60 graus de temperatura. E prossegui nos cumprimentos me irritando mais ainda porque alguns caras insistiam em falar em polonês comigo. Quando percebiam que eu era de outro planeta faziam um muxoxo de desaprovação e me deixavam falando sozinho (em português). De repente, uma famosa historiadora se achega e tasca: Ty jest Polski? Aí o sangue do polakon chegou aos 96 graus. Saia fumacinha das orelhas quando devolvi: I Ty, jest Brazjliy? (E tu, é brasileira?) Ela sorriu amarelo e desapareceu. Depois de mais algumas formalidades,finalmente jantamos e fomos descansar afim de estarmos prontos para os trabalhos no dia seguinte.

Olha, no Seminário não apareceu gente, pessoas... Em compensação o local tava apinhado de polacos. Tinha mais de 500. De tudo quanto é canto. Eu subi no palco e dei meu recado. Falei , falei e, no geral, me sai bem, sabia bastante sobre o tema. Fui um dos poucos palestrantes que não usaram o recurso do texto pra relatar seus estudos e, como sou um apaixonado pelo estudo, isso ficou claro na forma vibrante que falei. Desci de lá com convite pra jantar, com alguns colegas querendo deixar seu cartão, trocar informações, pedir um pouco do meu material de pesquisa, etc... Se eu fosse mais sacana, podia ter casado na festa co uma bela garota (não era polaca). No contexto geral, ficou a ideia de que em Porto Alegre, havia um polaco negão que sabia do riscado.

Mas, existem as pessoas inesquecíveis. Eu estava bem feliz, conversando descontraído, quando ... tchan! tchan! tchan!tchan! retorna a famosa historiadora, desta vez arrastando uma amiga alienígena brasileira. - Estácio, minha amiga aqui está encantada com tanta gente clara, de olhos azuis e perguntou se não existem poloneses morenos ou pretos. Daí me lembrei de te apresentar pra ela. Fulana, este é o Estácio... Estácio, essa é fulana...

Exerci todo o meu autocontrole. Ia ficar chato acabar levando o Seminário para as páginas policiais da cidade. Mas, aproveitei que a menina ignorava o idioma eslavo e recitei um maravilhoso coroloário de palavrões no idioma de Chopin só pra ver a historiadora ficar vermelha como uma pimenta.

terça-feira, 3 de março de 2015

O folião

Antes que ilações infames tomem forma em vossos preclaros neurônios... digo-lhes, estava de cara sóbrio. Chapado apenas pelo café.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Fim de Copa na Porto Alegre

Dona Dilma, posso transferir parte das minhas contas pra senhora ou a sua turma de políticos? Agora que terminaram esses jogos na minha cidade e nossa rotina segue (menos nos feriados dos jogos do escrete canarinho), a senhora podia dar uma forcinha para que as obras dos corredores terminassem de uma vez. É que me disseram, dona Dilma, que era pra melhorar e facilitar o acesso das pessoas ao estádio que o seu antecessor escolheu e a senhora se empenhou (e o BNDS também) pra que ficasse pronto... Ah! Dona Dilma, a senhora não viu? Não? Não ficaram prontos ainda. Sei é uma pena, mas maquiaram bem. Os visitantes nem notaram que aquelas avenidas insignificantes, como a Protásio Alves e Bento Gonçalves tem obras que andam e param. Sim, dona Dilma, ônibus e carros juntos. Até acostumamos. Temos uma mídia otimista, dona Dilma. Tem cronista que ainda fala em legado da Copa. Um tal de caminho não sei do quê... Afinal, hoje em dia, levar uma hora pra andar um quilômetro é parte da modernidade. Mas fique tranquiia, os ônibus estão limpos vazios e cheirosos e as obras lá da zona Sul, onde mora o seu Araújo estão de vento em popa ou terminaram. Não temos do que reclamar. Olha, do metrô subterrâneo eu nem vou lembrar. Fiquei triste com todas as entrevistas, prefeito indo a Brasília, aquele auê todo, esperando o início das obras e depois todo mundo com cara compungida dizendo que não ia dar tempo pra fazer. Até imaginei a senhora aqui inaugurando os primeiros 50 metros da obra. Pô, dona Dilma, até a o ponte do Guaíba virou miragem. Tem gente que diz que é engambelamento, mas eu lhe defendo, dizendo que não condiz com a sua imagem proba e séria. Sim, eu sei que a senhora não usaria aquele chapeuzinho vermelho de obreiro. Seu antecessor usou e depois não entendeu porque só 10% pro Adão Villaverde. Muito astucioso ele... Ah... até acho uma pena que Porto Alegre não possa sediar os jogos das semifinais. Pois é, tinha um estádio aqui pronto, com a capacidade para comportar o evento. Mas a senhora insistiu tanto em restaurar outro. Podia ao menos colocá-lo dentro dos padrões... Sim, entendo 260 milhões já era muito dinheiro...A senhora deve mesmo tratar a coisa pública com seriedade. A propósito, falando em grana, dona Dilma, sou profissional liberal e este mês não faturei nada. A FIFA não me deixou vender uns pasteizinhos perto do estádio. A senhora por acaso tem uns trocados pra me emprestar? Até entro num desses seus planos, desde que tenha alguns milhares de anos pra pagar. A senhora não isentou a FIFA dos impostos e mandou grana pra tudo que é pais vermelho do continente? Aliás, tá com a cor do meu balancete este mês... Consegue uma alforriazinha pra mim também? Só não vendo o meu voto e nem troco de time. Dona Dilma, por favor não me apareça com o Maluf num palanque. Eu ia ficar com muita vergonha.