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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Os Poloneses - A Fama

Recentemente optei por dar um novo rumo a minha vida. Tomei algumas decisões importantes e fortes. Uma delas, a de não me envolver mais com os assuntos poloneses. Mas, como foi quase uma vida nessa folia polaca, resta alguns causos e histórias... 
Relato uma ...

Quando participei como painelista do Seminário Internacional da Etnia Polonesa na URI, em Erexim (Bah! Em outubro fez 14 anos), fui convidado para um jantar, realizado na noite anterior ao evento, nas dependências da Sociedade Rui Barbosa. Várias autoridades acadêmicas, PHD'S, Doutores, Mestres e eu, de curioso, por lá. Completamente desconhecido, fui apresentado aos demais "colegas" do Seminário como o radialista e professor que fazia pesquisas sobre os polacos de Porto Alegre. Filho de um descendente polonês de quatro costados e uma cabocla do litoral de Santa Catarina, minha pele, diferente da dos meus irmãos, é bem mais morena. Quando pequeno, eu parecia um indiozinho. Meu pai me chamava "czarna polska", ou seja, polaco preto. Fisicamente, herdei dos poloneses o branco dos olhos e o sobrenome complicado. Psicologicamente, um temperamento dos infernos. Não é a toa que os poloneses dizem: "Em nossas veias ferve o sangue dos falcões".

Logo de cara, na entrada da venerável sociedade, fomos recebidos pelos locais mais importantes. Uma polonesa nata, estranhando o "moreno / negrão" (czarna) no meio da delegação de Porto Alegre, segurou minha mão e, em polonês pergunta: Ty jest polski? (tu és polonês?). Na hora, me fiz de esquerdo, pedi ajuda, disse que não entedia (e não entendia mesmo), ficando ali meio sem graça, meio chateado, com o sangue indo pros 60 graus de temperatura. E prossegui nos cumprimentos me irritando mais ainda porque alguns caras insistiam em falar em polonês comigo. Quando percebiam que eu era de outro planeta faziam um muxoxo de desaprovação e me deixavam falando sozinho (em português). De repente, uma famosa historiadora se achega e tasca: Ty jest Polski? Aí o sangue do polakon chegou aos 96 graus. Saia fumacinha das orelhas quando devolvi: I Ty, jest Brazjliy? (E tu, é brasileira?) Ela sorriu amarelo e desapareceu. Depois de mais algumas formalidades,finalmente jantamos e fomos descansar afim de estarmos prontos para os trabalhos no dia seguinte.

Olha, no Seminário não apareceu gente, pessoas... Em compensação o local tava apinhado de polacos. Tinha mais de 500. De tudo quanto é canto. Eu subi no palco e dei meu recado. Falei , falei e, no geral, me sai bem, sabia bastante sobre o tema. Fui um dos poucos palestrantes que não usaram o recurso do texto pra relatar seus estudos e, como sou um apaixonado pelo estudo, isso ficou claro na forma vibrante que falei. Desci de lá com convite pra jantar, com alguns colegas querendo deixar seu cartão, trocar informações, pedir um pouco do meu material de pesquisa, etc... Se eu fosse mais sacana, podia ter casado na festa co uma bela garota (não era polaca). No contexto geral, ficou a ideia de que em Porto Alegre, havia um polaco negão que sabia do riscado.

Mas, existem as pessoas inesquecíveis. Eu estava bem feliz, conversando descontraído, quando ... tchan! tchan! tchan!tchan! retorna a famosa historiadora, desta vez arrastando uma amiga alienígena brasileira. - Estácio, minha amiga aqui está encantada com tanta gente clara, de olhos azuis e perguntou se não existem poloneses morenos ou pretos. Daí me lembrei de te apresentar pra ela. Fulana, este é o Estácio... Estácio, essa é fulana...

Exerci todo o meu autocontrole. Ia ficar chato acabar levando o Seminário para as páginas policiais da cidade. Mas, aproveitei que a menina ignorava o idioma eslavo e recitei um maravilhoso coroloário de palavrões no idioma de Chopin só pra ver a historiadora ficar vermelha como uma pimenta.

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