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sexta-feira, 8 de abril de 2011

44

Hoje, às seis horas, completo 44 anos. Parabéns pra mim! 
Parabéns?!
Ao repassar meus recuerdos, fazer o balanço, pesar prós e contras, mensurar alegrias e tristezas, stresses e relax, não consigo contabilizar o saldo. Não sei se é positivo ou negativo.
Até hoje não sei quem está me segurando na cadeira...
Acho até que virei budista, pois depois que deixei de fazer planos com mais de três meses de duração e diminuí a ansiedade que as expectativas trazem, deixei de sofrer. Paradoxalmente sinto que como ser humano, ter sonhos é uma mola impulsionadora da vida.
E, me incomoda estar ficando velho. 
Confesso. 
Nada como uma juventude saudável e sorridente. Meus joelhos que o digam. 
E de que valem a experiência e sabedoria numa época em que valores, ideais, ideias e princípios mudam a cada troca de estação? 
Admiro pessoas que são apegadas à vida, gostam de viver. 
Vêem objetivos e propósitos, físicos e metafísicos nos acontecimentos diários que tem aquele efeito transcendental, espiritual e estranhamente confortador.
Pode parecer até apatia, efeito da idade, não sei, mas percebo que, gradualmente, tenho ficado mais quieto, distante e, para alguns, arredio. 
O que me assusta mesmo é que não estou nem aí. Pensem o que quiserem. Vivo até quando Deus quiser, mas quero viver - e morrer - tendo a liberdade como sensação plena. Na falta de alegrias exorbitantes, me sentir livre é o meu presente excelso de 44 anos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ficha Limpa

Data venia V.Excia.
Vou dormir infeliz com a decisão do STF sobre a validade da Lei da Ficha Limpa para a eleição passada. Assisti ao voto do novo ministro, Fux. Desempatou a votação e determinou que ela valerá só para as eleições de 2012. Compreendi um pouco da argumentação dele e creio que foi um voto honesto, apesar de contrariar o entendimento de mais de 3.000 magistrados pelo país. 


Jader
A tristeza maior fica em pensar que Jader Barbalho volta à cena política. E, com certeza, gestará novas medidas de auto-imunidade em seus novos oito longos anos no Senado



domingo, 20 de março de 2011

Amigos

Os meus familiares dizem que sou demasiado atencioso com as pessoas. Que falo demais, explico e reitero demais. Pode ser, eu tenho a afetividade entre minhas características mais marcantes. Não custa nada um  - Olá, como vai você? Precisa de Algo? Abraço então.... Depois que inventaram o celular, gastei alguns trocados nesses rápidos diálogos.
De minha parte, creio que, após alguns anos, tombos e decepções, ando um pouco mais reservado, procurando e telefonando menos para importunar meus camaradas e parentes. Quando penso no assunto e faço uma avaliação honesta, vejo que, ao fim das contas, apenas trato as pessoas da forma como gostaria de ser tratado. Por um lado, esta prática da empatia cotidiana me rendeu bons frutos: me orgulho de ter muitos amigos e (penso que) sou querido por toda a família. 
Gente que está próxima pra trocar experiências, compartilhar de um sonho, um objetivo, uma vitória conquistada. Falar do bom doce ou do malvado destino que temperam suas vidas e, às vezes, ouvir um pouco da tragicomédia que enceno diariamente.
No meu firmamento habita uma plêiade de amigos. Alguns, de longa data, como a Carla, já que fizemos a primeira comunhão há uns bons 36 anos. Outros, como a patroa Márcia, são mais recentes, 23 anos.  Fomos, voltamos e acabamos resolvendo viver juntos após um interregno de 18 anos... E assim, com tantos outros...



sábado, 19 de março de 2011

A Declamação

Era dia de aniverrsário do Reitor. E não era qualquer um. Era do todo-poderoso Rubem Eugen Becker, pastor criador, espírito e alma da ULBRA. 
Alguém tinha ouvido a brincadeira no estúdio B da rádio e lançou a ideia a um superior, sem eu saber. De repente, recebo a convocação e, naquela data, após exaustivos ensaios sobre uma trilha do Gipsy Kings, que quando revi postura, impostação e gestos, tremendo dos calcanhares aos olhos, vou ao galpão, onde ocorreria a festa. Até o ex-governador Alceu Collares, recem contratado como professor, estava na platéia. O Vice-reitor anuncia então que em nome de todos os funcionários da insituição, um locutor da rádio da Ulbra (eu - não disseram meu nome) faria a homenagem. Silêncio! A despacito entro no palco daquele salão rúsitco, logo sobe a trilha, o clima de suspense aumenta, arrumo as melenas, dou a última sacudida na pilcha e, olhos nos olhos do reitor, estendo os braços e tasco em alto e bom som:
- Chinoca, me dá um abraço!... 
E continuei a bela poesia de Odilon Ramos, sem me preocupar com o que ocorria em volta: muita costela assada ficou entalada na garganta, feições estáticas e olhares incrédulos. Meu chefe Mauro Borba, entrou em surto, pois como muitos, segurou o riso... ou gargalhada...
Mas, depois da última estrofe, penso eue me sai bem... muito bem. O Pastor aparentemente gostou, ou para salvar o estranhamento de muitos, cordialmente aplaudiu, se levantou e me abraçou agradecendo.
Ao final, fiquei com a fitinha gravada de recordação que algum parente pediu emprestado e nunca mais devolveu...
Teve gente que jura até hoje que foi deboche. Eu gostei de fazer. E o fiz com sinceridade de propósitos.

domingo, 6 de março de 2011

O Fotógrafo!

William VN

Afora o luto pela passagem do Tio Pinto (mais adiante, quando puder me lembrar das coisas boas sem me emocionar demais, vou escrever algo) e minha iniciação no mundo da fotografia profissional (a Photo Vox é uma realidade), o período tem sido de pouco produção. Reconheço minha dívida aos milhares de leitores deste blog, prometendo num futuro não muito distante retomar estas histórias bastante pessoais.

Nas fotografias, tenho levado um auxiliar: meu afilhado William que tem se saído bem como coadjuvante na captura das fotos. Vejam uma foto minha feita por ele: O cara tem futuro! Coloco junto uma foto do jovem e promissor retratista.



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Mudança de categoria...

Hoje me peguei pensando de que, na família, já estou compondo aquele grupo dos mais antigos,  dono de ideias obsoletas, ultrapassado, sem entender o que os primos e sobrinhos adolescentes falam. Sem falar que eu apareço em fotos preto e branco.
Depois, conversando com a  patroa Márcia, falei numa reverência àquelas pessoas que foram as minhas primeiras referências nesta vida: "Eles eram de outra cepa, com outra formação, pareciam indestrutíveis e em nosso imaginário, haviam superado todas as dificuldades da vida". 
Mas, assim como os conhecidos e os distantes,  nossos amados entes também vão saindo de cena, saindo do nosso cotidiano, entregando seus corpos cansados à terra e suas almas a Deus. Ficam discretos num porta-retrato, os olhos zelando a casa e a saudade perene pelos cantos do lar.